Inicio do tratamento

Bom, agora que já falei um pouco superficialmente, vamos ao que interessa. Pra por o aparelho eu tive de primeiro achar um dentista, afinal fui em um monte quando criança e a nenhum me adaptei, nem mesmo eles queriam fazer meu tratamento, flavam que eu era assim e assado, porque eu já desmaiei na cadeira de uma, dei chilique em outro, enfim. Ai ano passado meu irmão fez algumas obturações em um, e eu estava cheia de tartaros (eca), minha mãe marcou uma limpeza pra mim, fiz a limpeza e ele disse que eu também precisava de obturações, acabei fazendo, e foi bem mais tranquilo do que imaginei, nisso ele disse que eu podia fazer o book, que levava, ele via o que precsiava e eu colocava o aparelho se quizesse, fiz o book e levei, levou um tempo nisso tdo lógico, não foi de uma visita pra outra, uns quatro meses ou mais esse processo. Ai ele falou que eu teria de  arrancar alguns dentes, pois minha arcada é pequena e os dentes grandes (há um nome técnico pra isso, mas não lembro), sem contar que eu tenho um dente que perdeu a raiz (longa história, conto depois) e de qualquer jeito eu vou perder. Ai fui lá em mais uma consulta, normal, a ajudante dele me mandou escolher uma cor, rosinha, beleza, mas pra que? Pra por o aparelho !!! Fui pega de surpresa, não estava esperando sair de lá naquele dia de aparelho (na minha mente era algo muito complicado e demorado e tal), ele não colocou tudo de vez, foi por partes, primeiro em baixo, depois em cima, colava alguns brackets, deixava e no mês seguinte ia completando. passo a consulta toda de olho fechado, e seguro meus braços como forma de me sentir segura (?). Antes tinha musica no consultório, eu gostava mais, mas tudo bem. Ainda não tem seis meses que comecei a minha vida com aparelho, mas to levando numa boa. Na primeira vez, passei uma semana sem mastigar nada, durante o mês evitei várias comidas, na segunda vez eu fiquei sem comer só nos primeiros dias, e agora já vou e saio de lá comendo normal. Apenas aboli algumas coisas da minha dieta. Chiclete? Nem que me paguem. Balas e pirulios, cortados. pipoca então, nem pensar. Ele não me proibiu nada, conheço monte de gente com aparelho que come de tudo, mas eu resolvi abolir por uma razão simple: detesto dentista, mesmo estando numa boa com esse, não gosto de ir, sempre fico ansiosa esperando e se eu for comer algo disso e quebrar um bracket, ou ficar com o chiclete todo grudado, dá um trabalho tirar e eu vou ficar reclamando e blabla, melhor evitar. Sou do tipo que pensa que vale algusn sacrificios por uma boa causa. Se quero um sorriso bonito, posso passar um tempo sem comer essas cosias, não vou morrer por conta disso. E de certo modo, é até bom. quanto as demais comidas, eu evito coisas pra morder, Corto tudo, ou então tento ‘abrir’ com a mão, exemplo, pego um biscoito, quebro ele e ponho o pedacinho na boca, mastigar apenas o necessário, pra não quebrar. Comer algumas coisas só em casa, afinal não vou tá na rua fazendo isso, já imaginou comer pastel na rua, ‘rasgando’ o pastel com a mão? Não dá. Pode ser muita neura minha, mas melhor assim do que nada. Já notei sutis mudanças nos dentes, uns mais afastados dos outros, nada que seja bem visivel a quem está de fora, ams ao escovar os dentes e passar o fio dental sinto a diferença. Ele já marcou as primeiras extrações, estou ansiosa e medrosa, mas vamos lá.

Auto estima

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Acho que esse é o principal benefício que vem com a minha vida com aparelho ( e futuramente depois sem ele). Só quem já teve um sorriso imperfeito vai entender como é se sentir ‘diferente’. sabe a mônica dos quadrinhos, pois, eu parecia ela, com a diferença que não era só os dois da frente que eram fora da estética. Achava feio meus dentes, mas não colocava o aparelho por alguns fatores: morria (e ainda morro, mas de forma controlada) de medo de dentista, era uma garota muito presa a opinião dos outros, tinah medo do que iam pensar, e uma prima me fez o favor de dizer: ‘deixa ela, quando ela tiver um gatinho ela resolve colocar’, tudo bem, não é nada demais ter um gatinho, mas quando ela falou isso eu era ainda uma criança e não pensava nessas coisas, acho que inconscientemente eu fiquei na cabeça que não pediria pra por pra não dizerem que eu tinha arrumado alguém, coisa de criança, ams que acho que acabou me acompanhando. Minha auto estima vivia lá em baixo, durante todo esse tempo, associei a minha falta de namorado ou paqueras ao fato de que, nenhum garoto iria querer sair com alguém com um sorriso como o meu, hoje em dia vejo que talvez não seja só esse o problema e sim tudo que acabei fazendo por causa dessa mentalidade que tinha. durante todos esses anos passei a evitar fotos, evitar situações de exposição, como apresentações em público, danças, festas. Me isolei em um mundo de faz de conta, em que me sentia protegida, só não deixei claro de quem, do mundo ou de mim mesma? Há alguns anos, minha vida mudou consideravelmente, troquei de cidade, de amigos, de pensamentos, foi um período longo e de certa forma sofrido várias vezes, mas compensou cada momento. Gosto muito mais de mim como estou hoje, a forma como encaro a vida, meu mundo, o mundo ao meu redor. Ainda estou tendo de reaprender a viver de certa maneira. Voltei a conversar mais com as pessoas, mas ainda não estou 100% a garota que era, de adorar dançar, sorrir em público, ainda meu sorriso é aquele tímido, mas estou no caminho das mudanças. Ainda não achei um gatinho pra chamar de meu, mas estou bem mais confiante. Acho que a questão não era que eles não olhassem pra mim por conta do sorriso, mas sim, como olhar pra alguém que nem mesmo se olha? Se eu não estava bem comigo mesma como podia esperar que alguém visse em mim o que nem eu via? Minha auto estima era no fundo no poço, agora ela começa a subir, cada vez mais.

off mundo

Por hoje queria que meu mundo ficasse off por alguns instantes, quem sabe assim eu conseguiria por as ideias em ordem, decidir sem a pressão do tempo, escolher, aceitar, admitir. Resolvi tirar o resto que me sofra do dia pra mim, pra tentar relaxar, espairecer, ver se melhoro dessa dor de cabeça que me acompanha desde o meio dia, por isso vim aqui, precisava de colo, precisava conversar, e a minha melhor conversa disponível é o meu silêncio, as palavras e pensamentos. Não adiantaria conversar com quem não entenderia. Queria achar a chave que desliga o mundo e desligar o meu por alguns instantes.