
Hoje pela amanhã acabei de ler Mulheres que correm com os lobos, demorou, mas terminei e nem posso dizer que é finalmente, porque lá no fundo, eu não queria acabar. Enquanto eu ainda estava no meio do livro, já pensava: “tá acabando 😦 “, e eu queria que a autora tivesse escrito mais desse livro, uma continuação, algo que fizesse a leitura não terminar. Eu queria conhecer mais histórias, mais contos, através das palavras da Clarissa.
O livro é incrível. De início, tive dificuldade de entender, acompanhar a narrativa, era tudo muito novo para mim. Mas após algumas páginas, o novo se abriu, consegui me visualizar nas situações, enxergar a minha vida naquelas linhas, tantos sentimentos, sensações, que eu nem conseguia externalizar, e estavam lá. Não eram só meus, eram de todas nós.
Percebi que sei muito pouco de mim, de nós, mulheres. Não conheço meu ciclo, minhas origens. E esse é um tema que tem me atraído cada vez mais, o Sagrado Feminino, a Mulher Selvagem. Fiquei atraída pelos arquétipos, pelas histórias, impactada com os finais que nem sempre eram finais felizes do jeito que os contos de fadas que ouvimos na infância costumam ter. Eram donzelas sem mãos, meninas sem pés, mulheres mortas, esqueletos. Tão diferentes e tão iguais. Me pergunto porque não nos ensinam dessa forma, desde pequenas, o quanto estaríamos melhores, o quanto mais felizes seriamos ao crescer entendendo cada etapa, cada ciclo, sem uma romantização melosa que nos deixa alienada, sonhando com um príncipe encantado que não existe, que vá resolver nossos problemas e com quem, finalmente seremos felizes. Não, esse príncipe não existe, não dessa forma. Não é ele que nos deixará felizes. Só nós podemos fazer isso por nós mesmas.
Me deu vontade ter uma menina pra ensiná-la da forma que eu gostaria de ter sido ensinada, conhecendo cada linha, cada etapa que nos foi negada por gerações, o conhecimento interior, profundo, eterno, de nossas ancestrais. A vida com uma nova visão, olhada de uma perspectiva diferente.
É um livro longo, sim. E ao mesmo tempo é tão curto. É maior que a maioria dos livros que já li, mas se ele tivesse mais páginas ainda assim não se esgotaria pra mim, sinto que ainda há muito o que aprender, muito a descobrir, tantas histórias guardadas, perdidas. A cada nota ou citação que não era explorada a fundo, me batia uma sensação de “poxa, volta aqui, explica mais isso, faz outro capítulo”. Eu queria mais. Cada vez mais.
Vou deixar aqui um trecho do final do livro, na esperança que tenha um pouco da sensação maravilhosa de ler essas páginas, que desperte em ti a vontade de ler o livro inteiro, de conhecer, cada vez mais.
(…)Apareça, onde quer que seja. Deixe pegadas fundas porque você pode fazer isso. Seja a velha na cadeira de balanço que embala uma ideia até que ela volte a remoçar. Tenha a coragem e a paciência da mulher na história do urso da meia-lua, que aprende a ver além da ilusão. Não se distraia queimando fósforos e fantasias como a pequena menina dos fósforos.
Não desista até encontrar a família à qual pertence, como o patinho feio. Despolua o rio criativo para que La Llorona encontre o que lhe pertence. Como a donzela sem mãos, deixe que o coração paciente a guie floresta afora. Como La Loba, colha os ossos dos palores perdidos e cante para devolvê-los à vida. Perdoe tanto quanto puder, esqueça um pouco e crie muito. O que você faz hoje influencia seus descendentes no futuro. As filhas das filhas das suas filhas irão provavelmente lembrar de você e, o que é mais importante, seguir seu exemplo. (…)
Clarissa Pinkola Estés – Mulheres que correm com os lobos
Para ler mais sobre o que achei do livro, acesse:
https://quase30.home.blog/2019/02/03/mulheres-que-correm-com-os-lobos-parte-2/
https://quase30.home.blog/2019/02/16/mulheres-que-correm-com-os-lobos-parte-3/




