Meu parto não foi como esperado

Eu sempre tive medo do parto, mesmo quando não pensava em engra ida, a dor ou cirurgia me assustavam. Já grávida, pensava: vai ter de sair. A medida que ia estudando sobre a gravidez, fui desejando parto normal, pelos benefícios para o bebê. Para meu alívio, minha médica falava os benefícios do parto normal, sobre os que tinha feito, o que me deixava tranquila. Ela era uma boa médica, estava pagando particular, daria tudo certo. Só que não.

Recebi a indicação de uma medica pelo plano, diziam sem muito boa, porém só achei vaga quando já estaria com quase 6 meses, minha amiga logo aviso: ela diz q faz normal, mas não faz. Contou que ma ultima consulta dela quis marcar a cesaria porque o bebê não nasceria e parto normal, minha amiga tentou esperar uma semana, ela respondeu que não se responsabilizava, no outro dia minha amiga já estava na maternidade. Eu não queria isso. Se fosse cesaria, que pelo menos fosse no dia que o bebê quisesse nascer. Desmarquei com a do plano e continuei onde estava.

Estava tudo indo bem até que descobri a diabetes gestacional, mas a médica mais uma vez me tranquilizou que isso não determinaria a via de parto. Algumas coisas, contudo, deveriam ter me feito desconfiar. Mas sendo eu marinheira de primeira viagem e meio avoada, não notei. A começar pela consulta após o curso de gestante. Perguntei sobre marcar a consulta pediátrica de pré-natal e ela achou cedo, apesar de já estar na última metade da gravidez, falou que conversaria disso mais a frente, mas indicou a clinica onde levava os filhos, aproveitou e me deu o contato da consultora de amamentação que por sinal tinha estado no curso (falarei mais dela em outro post).

Seguimos, passei a fazer ultrassom e cardiotocografia a cada 15 dias. Chegou uma hora que ela disse que o bebê estava na melhor posição para o parto normal, me animei. Ela porém não falava sobre parto comigo, não explicava diferenças, o que aconteceria em cada um. Já no último mês ela começou com perguntas vagas, e ai o parto já pensou? Falava que queria que fosse do jeito que o bebê preferisse e acabava ai.

Na penúltima consulta ela disse que, devido o diabetes gestacional eu não podia esperaro parto normal apos as 40 semanas. Ou induzia ou cesaria. sendo que ela vinda fazendo toque nas últimas consultas e não tinha dilatado, colo fechado, teria de amolecer e depois induzir, ou algo nesse sentido. Podia levar dias todo o processo e ainda assim não era garantia dar certo e eu conseguir o parto normal. Fiquei triste. Conversei com meu companheiro e decidimos não arriscar ficar tanto tempo na maternidade sem saber se daria certo,estávamos com medo do coronavirus. Optamos pela cesaria.
Não houve muita explicação de como seria, perguntou se tinhamos duvidas. Agora vejo que é dificil ter duvidas de algo que você desconhece detalhes, depois que passa você nota o tanto de coisa que fez errado. As explicações que recebi não eram suficientes. Mas enfim, segui nervosa, mas menos do que imaginei. Tentei relaxar. Já na sala de cirurgia fiquei ansiosa, meu companheiro só podia entrar quando já tivesse começado, dessa forma não havia a playlist que preparei, já que a medica havia dito para deixar com ele e assim passar pro anestesista. Estava só, numa sala fria, com estranhos, sem saber o que esperar.

Quando ela chegou perguntou se eu queria pega-lo quando nascesse, respondi que sim e meu coração aliviou, mas foi só ai. Começaram a fazer as coisas e eu me assistava, Não sabia se sentiria o efeito da anestesia, comecaram a por a sonda e eu sentia choque na perna. Puxaram meu braço da posição que estava confortável para mim. Durante o parto empurraram minha barriga e percebi que aquilo era violência obstétrica.
O bebê nasceu e não chorou. O pai dizia nasveu e eu questionava : porque nao tinha chorado? onde estava? queria que trouxessem pra mim. Não tive minha golder hour. Quando ele veio pra tirar foto eu estava cansada, mal aguentava virar o olho para ver e olhar pra foto. O levaram. O anestesista perguntou se eu queria remédio para dormir, galei que não. Depois tudo virou um borrão. Ouvi vozes mas não sabia o porque da demora, perdi noção do tempo. Chegaram pra me trocar de maca, eu quis virar o corpo e não deixaram, parecia que iria desmaiar a toda hora.Na sala de recuperação, falavam comigo e eu respondi meio automatico, ouvi dizerem que iria pro quarto 13h30. Não fui. Eu não tinha forças, só conseguia dormi e sentir minha cama balancar quando passavam e batiam na maca. Tremi de frio, meus dentes batiam. Puseram manta térmica. Ficou muito quente, eu suava, tiraram, voltei a sentir frio. Acho que me medicaram, me levaram pro quarto mesmo assim quase 17h. Eu nao conseguia nem comer. Poucas mastigadas e cansava. Só queria dormir. Não tinha força nem pra olhar meu bebê, o pai que cuidou. Só fui melhorar de madrugada. Mas uma melhora fisica, a cicatriz da alma ficara para sempre.