Sobre expectativas não superadas

Muita coisa mudou após a gravidez. Meu mundo virou de cabeça pra baixo e ainda não me recompus. Certezas foram quebradas, sonhos destruídos, expectativas, acreditei eu, superadas. Mas a uns nove dias, foi um daqueles dias, que um momento pode virar tudo e nos mostrar o quanto estamos erradas.

Era uma noite comum, ou quase dentro da rotina, a exceção era ter mainha em casa. Tendo ela para me ajudar com o bebê, meu namorado resolveu fazer seu “percursão de bicicleta” (ele sai pedalando de casa até a orla e volta). Até ai, ok. Pegou uma mochila e pos nas costas eu estranhei, ele mal leva a chave de casa, questionei e me disse que ia ver se comprava fruta pro bebê. Um sábado, mais de 18 horas, quando voltasse onde acharia fruta? Mas tá, tudo bem ( eu havia saido pela manhã pra comprar mais onde compramos estava cheio e o outro lugar não tinha nada bom).

O bebê comeu e foi dormir mais cedo, ainda estava no meu peito mamando quando meu celular tocou, minha cunhada. Estranho. Ela nunca me liga. Talvez quizesse falar com o irmão e como ele saiu, o celular ficou e ela sem conseguir me ligou, atendi, mesmo pensando que podia acordar o bebê. Ela veio com uma conversa estranha, de que ele tinha ligado pra ela, do celular do porteiro do prédio da mãe e pedido pra eu ir buscar ele, no mínimo estranho, mas respondi que iria lá.

Foi ai que me dei conta de não ter superado minhas expectativas.

Na noite anterior havia tido uma conversa rápida com ele sobre como faremos quando eu voltar a tarbalhar presencialmente, sobre a mudança de apartamento e sobre divisão de quartos. Uma vez ele já tinha mencioando por cima, talvez de brincadeira, talvez não, mas eu gostei da ideia e cada vez mais amadureci na minha mente isso. Falei então que, no novo apartamento, um quarto seria dele, um meu (que durmo com o bebê) e outro do bebê para brincar, já que provavelmente vamos para um menor e não tem espaço de brincar no meu novo futuro suposto quarto. Falei pra ele amadurecer a ideia, ai ele soltou: “então vamos oficializar a separação de corpos?”, soou engraçado. Não lembro a última vez que dormimos no mesmo quarto, sei que foi logo após o bebê nascer. Depois, passei a fazer cama compartilhada e ele passou a dormir na sala, mesmo tendo comprado uma cama de solteiro pro quarto que era nosso. Ele já disse várias vezes que não sente desejo ( assunto para outro post a minha condição física atual), eu também não ando empolgada ( gravidez e pos parto tiraram toda a minha libido), então trÊs vezes após o parto foi o máximo que conseguimos.

Com esse cenário, além de todos os problemas que temos fora isso, a relação em crise, não parece o melhor cenário. Logo, como podemos ‘oficializar’ algo que já acontece? Respondi que isso não seria nada demais, afinal, o que seria o quarto do casal não anda servindo pra nada mesmo, pois durmo com o bebê, já um quarto sendo dele, quem sabe um dia poderiamos voltar a usar. Além disso, ele mesmo não é adepto de convenções, afinal, eu não tenho um anel no dedo simbolizando compromisso. Nunca me pediu em namoro ou casamento. Fora todo o resto que já conversamos e nãos eria necessário retornar que ele lembrava, falei sobre essas coisas com ele e levei a conversa descontraida ( não sei como ele recebeu isso).

Pegando essa conversa anterior, e o fato dele ter saído de mochila tão tarde (onde acharia fruta num fim de semana de pandemia a noite?), Comecei a sonhar, será? Será que ele ia fazer uma surpresa pra mim? Me pedir em casamento? Me dar um anel? Deveria me arrumar pra ir? Se tivesse fotos eu queria sair bem. Meu coração palpitou, falei com mainha que precisava sair para buscá-lo, falei da história desencontrada, ela achou que era trote, eu estava empolgada demais mas não contei a ela o que pensei. Deixei o bebe com ela e antes de sair nova ligação, cunhada pra explicar o pneu da bicicleta furou, ela tava lá me esperando pra traze-lo pra casa. Que banho de gelo.

Sai triste comigo mesma, por ter me iludido. No fundo, eu ainda tinha uma pontinja de esperança que podia see mas não, não era, e eu na verdade sabia. Por isso chorei no caminho de ida, me calei na volta, me enterrando em meus pensamentos.

Achei que eu já tinha superado essa fase, essa esperança de um pedido. Mas não, ele ainda está aqui, vivo, me fazendo sofrer por não ter.

É, as coisas não estão bem. E não vejo expectativa de melhorar.

Que mundo vou deixar pra meu filho?

Não cresci querendo ser mãe, a vontade veio depois. Mesmo assim, sentia medo. E nem sabia o que estava por vim. Engravidei antes da pandemia, mas ainda assim me sinto de certa forma culpada. Por te trazer nessa hora incerta, onde não se sabe o dia de amanhã.

Tenho medo por você, por mim, por toda nossa família. Medo de como será daqui pra frente, com essa doença que parece que não acaba.

Nunca imaginei a vida assim, uma pandemia, toque de recolher, risco de lockdown. Sem poder ver pessoas, sem poder sair de casa tranquilo, medo constante de encontrar alguém, de adoecer.

Espero que tudo passe logo, e que passe bem, para todos. Que esse tempo sombrio fique pra tras e você possa crescer num mundo mais saudável e feliz.

A imagem do espelho

Tem dias que acordo mais desanimada, triste, hoje foi um dia assim. Não que seja novidade nos ultimos tempos, mas foi sem motivo aparente. Pensei que possa ter sido pela noite mal dormida ou pelos fantasmas da história do menino que contei no texto anterior, não sei.

Mas fato é que acordei contra minha vontade, queria ficar sozinha, deixar o bebê com o pai e chorar. Não fiz isso, apesar de algumas lágrimas terem rolado antes de levantar da cama. Logo depois do café, uma brincadeira no aplicativo do meu namorado me fez reforçar a tristeza.

Não sei o nome do aplicativo, mas você tira uma foto e ele edita e vira video com uma música cantando. Ele insistiu e fiz, o resultado ficou horrível, meu rosto, parecia um monstro. O dele só ficou com a cabeça menor e o do bebê ficou estranho por ter parecido que virou menina, mas o meu foi uma desgraça.

E isso me tras aqui, pra escrever da minja imagem no espelho, não tenho certeza se já falei aqui, mas evito encarar o espelho pra realmente me enxergar, eu olho, pra escovar os dentes, ajeitar o cabelo, enquanto lavo a mão, mas não encaro, não olho nos olhos, não me reconheço ali.

Ultimamente está pior, não lembro o mês que fiz a sobrancelha, o cabelo mal vê uma hidratação, quando raramente vê. Perdi 10cm de quadril, logo do quadril que sempre me orgulhei, que era a única parte do corpo que eu sempre olhei e gostei, de verdade. Minhas pernas antes grossas, viraram cambitos, os braços foram pelo mesmo caminho. A cara seca.

E é assim que me vejo, sem a pouca auto estima que um dia cheguei a ter, sem pespectiva, sem esperança, sobrevivendo aos dias unicamente pelo bebê, pois nada mais me tras alegria.

O menino que não consegui ajudar

Ultimamente, tenho descido todo fim de tarde para andar pelo condomínio. Um ano de pandemia e desde que nasceu ele vivia em casa. Sei, não é o momento, mas tenho feito isso pela sanidade mental minha e pra ele ver algo além dessas quatro paredes ( o sorisso no rosto dele quando percebe que vamos sair de casa é incrível). Ando um pouco, sento em algum banco isolado, ele vê os carros passando, ou as crianças brincando, gente andando, depois subimos, evitando contato com as pessoas.

Hoje era mais uma tarde dessa, com pouco movimento, sentei em um banco diferente para ficar longe de um cara que mexia no carro. Estávamos lá, eu vi que vinha um menino em sua bicicleta, um senhor e uma mulher. Normal. Me distraí enquanto esperava a criança passar pro bebê vê. De repente só escuto o “não, não, não “, olho pro lado e tem um cachorro subindo no menino. Gelei. Ele começou a chorar, a mulher que vinha chegou dizendo que ele só queria brincar, pegou a coleira pra por no cachorro.

Enquanto isso, me levantei do banco e saí apressada, com medo do cachorro correr, entrei enyte os carros do estacionamento e de longe vi o menino chorar e outras pessoas chegarem paea ajudar, perguntar se queria que levassem ele pra casa se estava machucado, enquanto a mulher do cachorro pedia desculpa.

Minha vontade era acolher o menino e abraçar, xingar aquela mulher de irresponsável, doida e outros adjetivos que não pretendo escrever aqui. Mas virei e fui andando rápido pra casa, com o bebê sendo segurado forte no meu colo, sem saber o que ocorria. Chegando em casa chorei.

Tem estado na “moda” falar em gatilhos psicológicos, algo que te az lembrar um trauma passado. Talvez por isso, ao ver a cena que descrevi, me veio a mene que aquilo era um gatilho pra mim, por isso me comportei assim.

Quando eu era criança, uns 10 anos, um cachorro correu atrás de mim, cheguei na casa da professora de reforço escolar chorando, depois disso nunca mais fui ou voltei sozinha de lá. Até hoje tenho medo de cachorro, não gosto que cheguem perto de mim, nem mesmo o de minha cunhada, velho, cego e doente, que nem latir consegue.

Me senti incapaz de ajudar o menino, ao mesmo tempo que queria acolhe-lo. Quus afrontar a mulher por ser tão estúpida, tive medo do cachorro vim atacar meu bebê. Me senti uma criança enquanto corria pra proteger meu filho. Contraditório, como muita coisa em minha vida.

Contei a história ao chegar em casa, com as lágrimas escorrendo, coração acelerado e remosso de ter fugido sem ajudar o menino. Lembro que ao descrever a cena falei:” chegaram uns adultos pra ajudar”, só depois me dei conta que eu também sou um adulto. Pode ser uma frase simples, mas acredito que tenha significado mais profundo, relacionado de alguma forma com como me senti, indefesa, com medo.

Ao menino que não consegui ajudar, sinto muito. Minha consciência ficou pesada. Espero que você fique bem.

O marketing e a maternidade

O marketing está a nossa volta, em toda parte. Estejamos conscientes ou não disso, é um fato. Mas tenho ficado enojada com como as pessoas usam dessa ferramenta pra atingir um público alvo tão fragilizado, que é o das recém mamães.

Após o turbilhão da gravidez, do parto ( nem sempre como desejado) da transformação da vida, de seu papel como mulher, como mãe, das dores da maternidade, dificuldade de amamentação, desequilíbrio hormonal, dentre outras coisas, muitas aabam caindo como um patinho nas estratégias de marketing mais diversas, que prometem milagres, que mexem com o emocional, que as sobrecarregam de culpa ( uma culpa que já “nasce” ao se tornarem mães ).

Algumas já são velhas conhecidas, nos deparamos até mesmo na gestação, coisas como bico, mamadeira, e 1001 utensílios que, segundo a mídia, são essenciais ( só que não), que irão facilitar nossas vidas ( e atrapalhar a dos bebês, causando confusão de bico, prejudicando amamentação,…). Outras, nos pegam de surpresa, em todo caso, quando vemos, já caimos. E nos sentimos mal de termos nos deixado acontecer.

Tenho dois casos específicos para contar, devo ter caído em outros, que de tão enraizados na cultura nem percebi. Esses dois porém ilustram bem o que estou falando.

Já contei que rive dificuldade no início da amamentação, assim como contei da minha dificuldade de comer bem, saudável. E foi nesses pontos que eles me pegaram.

Desde a gravidez comecei a seguir diversos perfis de obstetras, pediatras, odontopediatras, nutricionistas e por ai vai. Um perfil em específico era uma pediatra muito boa, sim aprendi muito lá, o que não tira o fato de considerar a estratégia de marketing por ela usada por ela desleal, explico. Logo no início, poucos meses do bebê, ela lançou um curso de introdução alimentar, após uma semana de lives gratuitas. De acordo com ela, seria uma oportunidade única, não seria prorrogado e não haveria uma segunda vez.

Eu, preocupada com a futura alimentação do bebê e na possibilidade de perder a chance, comprei o curso , mesmo sabendo que seria dificil acompanhar as lives e todo o material no único mês em que ele estaria disponível, porque sim, a gente comprava e o acesso era só 1 mês. Arrisquei pra não perder a chance. Logo a primeira decepção. Acabaram as inscrições e ela reabriu. Como imaginado, não conseguir acessar todo o material ( era ainda aquele período mais conturbado que passei ). Alguns meses depois outra decepção, ela reabriu as inscrições, dessa vez com um curso mais completo e por um tempo de acesso maior 😔, eu poderia acessar de novo, se novamente pagasse por isso ( ela ofereceu um deconto a quem era da primeira turma, mesmo assim era caro). Fiquei tão chateada. Não por ela vender 1, 2, 10x que queira o curso, mas pelo discurso de que aquela vez era a única, que não prorrogaria nem abriria de novo. Sei que ela precisa lucrar, mas lucrar as custas de pessoas tão fragilizadas, me parece desleal.

Entendo que essa é a estratégia que varios setores usam, mas pelo momento que estava vivendo, achei que pesou demais pra mim. Resultado, mal consigo olhar as ponstagens dela atualmente. Ainda sigo por ter muito conteúdo bom, mas quando ela começa com discursos nesse sentido me sinto mal e pulo.

O outro ponto foi uma empresa que garante a possibilidade de você eternizar a amamentação com uma jóia. Me encantou, eternizar o momemto pelo qual tanto lutei. O produto era caro pra mim naquele tempo, mas surgiu uma promoção e uma amiga se dispôs a me dar uma parte do valor de presente de aniversário, aceitei e comprei.

Antes mesmo de fazer, já senti o baque. A promoção que aproveitei, virou rotina, todo mês tem, o que muda é o brinde, os % de desconto são os mesmos, o fretw grátis, mas hora vem um estojo, hora um espelho, uma bolsa… enfim. Me senti enganada, eu poderia ter esperado para comprar depois.

Pior não foi só isso, mas o fato de a jóia ter dado errado, entrei em contato com a loja, quiseram me culpar, expliquei que segui tudo que mandaram no manual e a resposta foi que me mandariam um kit novo mas eu devia pagar o frete pois tinha sido algo que fiz errado. Uma explicação sem lógica pra mim. Bati o pé que não achava justo, segui o que eles mandavam fazer e se havia alguma coisa extra a ser feita eles tinham de ter deixado claro.

Acabaram mandando o kit sem cobrar o frete , mesmo assim um item veio com um pequeno defeito, tentei ajeitar, refiz a jóia. O resultado foi melhor, mas nao ficou 100% como esperado.

E não dá pra dizer que foi só erro meu a mesma amiga que me deu de presente comprou pra ela e o resultado foi igual. Pior, o molde dela se esfarelou antes dela repetir a jóia, está esperando o meu molde pra tentar refazer.

E assim, a indústria vai lucrando em cima dos mais fracos, triste, mas é a realidade.