32 anos

Eu não queria comemorar. De início, até pensei em fazer uma festa com a familia, depois desisti. Desanimei. Falei que não queria ninguém aqui, só nós três. Nem presente escolho, ao contrário falei que não precisava e foi de coração.

Na véspera a sogra ligou, achou que ia ser surpresa. Insisti que não queria, ele tentou me convencer a chamar minha família. Não quis, falei pra dizer a dele p vim só a joite. Acabou que no outro dia cedi, ele parecia determinado na ideia. Marcamos pro dia seguinte, só a família. E no dia foi como eu queria, nós três, na paz, não cozinhei. Comemos o que sobrou do jantar anterior, salgadinhos, pirao de camarao do delivery, bolo e assim foi.

Dia seguinte todo mundo aqui. Começou com estresse, mas no final gostei, foi bom dividir o momento em família.

O que acha?

Passou batido. Se não fosse por essas idas e vindas que as coisas passam na minha cabeça, eu não iria perceber. Poderia achar que era só uma cisma besta, sem saber o porque. Mas acho que entendi.

Quando me contou do convite, diferente do que pensaria em outra época, eu achei uma boa ideia. Afinal, seria a chance de um emprego. Teriamos pontos a resolver, afinal preciso de ajuda aqui. Mas como você diz, quem quer dá um jeito. Tentei saber o que achava da ideia, saber detalhes.

Imaginei que seu sono podia ser a mente pensando nisso, precisando focar. Até que no banho do bebê perguntou se eu conseguiria quem viesse me ajudar, pois estava pensando na possibilidade de aceitar.

Então, quando disse que ia perguntr o que uma terceira pessoa achava, eu na hora me incomodei, mas porque? Não entendi. Ciúme? Talvez. Deixei passar… ou não, antes de deitar percebi.

Me incomodei com o fato de não ter sido diretamente perguntada sobre o que eu achava. Não houve uma construção conjunta de decisão. Mas para outros era um o que a pessoa acha?

Não importa o motivo de querer saber o que ela acha, importa que importa o q ela acha, mas e o que eu acho? Queria ter sido questionada diretamente, afinal, é a gente que isso afeta.

Desabei

Não tem sido dias fáceis. Meu bebê fará amanhã quinze dias que não está bem. Começou com corpo quente, enjoado, depois surgiram pontos vermeljos. A dermatologista disse que era um exantema viral. Isso coçando, sem dormir direito. Enfim. O cansaço bateu. Desde quinta passada venho sentindo o peso. Para completar a menstruação atrasada. Fiz um teste na sexta deu negativo. No domingo a menstruação veio. Na segunda eu estava sem ânimo, falei várias vezes que queria só ficar um tempo sozinha. Não tive como. Na terça levamos o bebê no médico, na quarta eu desabei a chorar, cansada da minha vida e das minhas escolhas.

Chorei sozinha, abraçada ao travesseiro. Não fui acolhida, não tive apoio. Ao inves disso, o pai do bebê reclamou da forma como fiz isso, porque quando o bebê acordou do cochilo, deixei com ele, fui ao banheiro e de lá pro quarto, fechei a porta para chorar. Ele disse que minha atitude ” foi de uma adolescente emo de 11, 13 anos, atitude babaca”.

Ontem, eu comecei a chorar no meio do tapete, enquanto estava com o bebê acordado. O pai chegou e falei que eu estava cansada. Não tinha sido uma boa noite de sono. Não tive retorno da minha fala, saí chorando do quarto, preparei o almoço em meio as lágrimas, eu xingava, chorava, me culpava por estar aqui. De novo sozinha. Desabafei com minha amiga sobre minha crise de choro. Mesmo sem ter muito o que fazer, ela tentou ajudar a distância. Abri um leite condensado e comecei a tomar puro, foi ai que fui melhorando. Depois, chupei um picolé. Mais leite condensado. Hoje acordei melhor.

É, não está fácil. Preciso de ajuda. E muita