Fim de um ciclo – mudança

Nunca gostei de mudanças, pelo menos não dessas planejadas. Mudar, de forma natural, ao longo dos anos, é um processo, você não consegue controlar. Mas a mudança, dessa vez, foi de casa, de vida.

A casa, enquanto estrutura, sempre teve um significado especial para mim. Sempre foicmeu sonho, meu objetivo, ter a minha casa. Foi pra isso que durante anos economizei.

A vida me levou a desviar desse objetivo. Por diversas razões. Parei de economizar e canalizei parte do que tinha em outras coisas.

Em maio de 2018, de forma inesperada, mudei para a primeira casa em que posso dizer que era minha, porque eu paguei, pelo menos o aluguel. Antes disso morei em alguns lugares, em alguns vive bem, me senti em casa, em outros não,. Faz parte.

Lembro que a busca por essa primeira casa própria foi difícil, não só em termos da mudança, do estilo de vida, de cidade. Mas a própria estrutura física, combinar espaços, localização, gostos. Eram muitas opções ruins, achei que não iria encontrar a ideal. Mas achei.

Lembro que na época, uma menina que seguia no YouTube também havia se mudado e ela falou que sentiu quando foi o lugar. Eu não posso dizer que senti, de forma intensa, mas lembrei da fala dela, era ali.

Não lembro ao certo em qual data me mudei pra esse novo lugar. Lembro que pensei que precisava aotar, pra não esquecer mas esqueci. E ok.

15 de maio ficou gravado por ser o dia que paguei o primeiro aluguel, mas não sei nem se foi mesmo assim, não faz muita diferença.

Lembro bem, por sua vez, da zasa vazia, um colchão inflável na sala, os móveis chegando. O sofá que não queriam entregr, por precisar subir 9 andares de escada já que ele nao cabia no elevador, a cama que estragou o colchão na mudança, fogão e geladeira novos, um ano sem tv , que não fez diferença pra mim

Lembro que no primeiro jantar na casa nova comprei uns bolinhos, tipo cupkace, com cobertura d chocolate, confetes coloridos tons branco e preto/marrom, pa comemorar. Comendo no chão da sala, escostados na parede, em frente a entrada da cozinha. Estava feliz.

Não cheguei a ter um sentimemto de lar, de ser meu, por vários fatores. Mas foi meu, eu sabia que era independente ali. Não ficaria desabrigada. Foi ali que chorei, que me arrependi, que oivi o que não queria, que sofri, que deacobri a gravidez que passei a pandemia, que o meu amor nasceu e cresceu.

Independente do que aconteceu, era meu lugar. A vista era linda, e por vezes olhava pra ela pra me acalmar.

Sai de lá por necessidade da vida. Não por vontade. Essa mesma vida me deu 6meses de vantagem. Era para ter saído ao completar os 3 anos de morada, eu estava péssima, sem aceitar. A vida me presenteou com mais um tempo, em que pude aproveitar mais e melhor, tudo que não aproveitei nos 3 anos.

Meu sentimento o final era de paz, uma tristeza controlada, por saber que era inevitável, mas por um motivo maior. Foi natural. Acho que minha mente se recusou a se despedir. Andei os últimos dias fotografando e filmando memórias, mesmo que dificil acreditar que estava acontecendo.

Na última vez que saí de lá, deixei os móveis o lugar, limpei as coisas que consegui, encaixotei o que pude, havia muita coisa vazia, mas estava tudo lá.

Ao fechar a porta, me veio a vontade de chorar, as lágrimas começaram a brotar, mas minha última lembrança de minha presença lá não foi como um adeus ao vazio, foi um até logo, como quando eu saia pra trabalhar, sai deixando tudo no lugar, como se fosse voltar.

Eu chorei, me despedi da vizinha, dei uma ultima olhada no elevador, espiei, da janela do carro, pela última vez aquelas janelas do 9 andar.

A chuva que caia, me fez acreditar que era um bom sinal. Que a tristeza era válida, mas algo bom estava por vim. Sempre gostei da chuva, sempre acreditei que ela tem um significado, mesmo que não saiba explicar o qual.

Eu mudei, só não sei pra onde a chuva irá me levar.