Mulheres que correm com os lobos (parte 4)

Hoje pela amanhã acabei de ler Mulheres que correm com os lobos, demorou, mas terminei e nem posso dizer que é finalmente, porque lá no fundo, eu não queria acabar. Enquanto eu ainda estava no meio do livro, já pensava: “tá acabando 😦 “, e eu queria que a autora tivesse escrito mais desse livro, uma continuação, algo que fizesse a leitura não terminar. Eu queria conhecer mais histórias, mais contos, através das palavras da Clarissa.

O livro é incrível. De início, tive dificuldade de entender, acompanhar a narrativa, era tudo muito novo para mim. Mas após algumas páginas, o novo se abriu, consegui me visualizar nas situações, enxergar a minha vida naquelas linhas, tantos sentimentos, sensações, que eu nem conseguia externalizar, e estavam lá. Não eram só meus, eram de todas nós.

Percebi que sei muito pouco de mim, de nós, mulheres. Não conheço meu ciclo, minhas origens. E esse é um tema que tem me atraído cada vez mais, o Sagrado Feminino, a Mulher Selvagem. Fiquei atraída pelos arquétipos, pelas histórias, impactada com os finais que nem sempre eram finais felizes do jeito que os contos de fadas que ouvimos na infância costumam ter. Eram donzelas sem mãos, meninas sem pés, mulheres mortas, esqueletos. Tão diferentes e tão iguais. Me pergunto porque não nos ensinam dessa forma, desde pequenas, o quanto estaríamos melhores, o quanto mais felizes seriamos ao crescer entendendo cada etapa, cada ciclo, sem uma romantização melosa que nos deixa alienada, sonhando com um príncipe encantado que não existe, que vá resolver nossos problemas e com quem, finalmente seremos felizes. Não, esse príncipe não existe, não dessa forma. Não é ele que nos deixará felizes. Só nós podemos fazer isso por nós mesmas.

Me deu vontade ter uma menina pra ensiná-la da forma que eu gostaria de ter sido ensinada, conhecendo cada linha, cada etapa que nos foi negada por gerações, o conhecimento interior, profundo, eterno, de nossas ancestrais. A vida com uma nova visão, olhada de uma perspectiva diferente.

É um livro longo, sim. E ao mesmo tempo é tão curto. É maior que a maioria dos livros que já li, mas se ele tivesse mais páginas ainda assim não se esgotaria pra mim, sinto que ainda há muito o que aprender, muito a descobrir, tantas histórias guardadas, perdidas. A cada nota ou citação que não era explorada a fundo, me batia uma sensação de “poxa, volta aqui, explica mais isso, faz outro capítulo”. Eu queria mais. Cada vez mais.

Vou deixar aqui um trecho do final do livro, na esperança que tenha um pouco da sensação maravilhosa de ler essas páginas, que desperte em ti a vontade de ler o livro inteiro, de conhecer, cada vez mais.

(…)Apareça, onde quer que seja. Deixe pegadas fundas porque você pode fazer isso. Seja a velha na cadeira de balanço que embala uma ideia até que ela volte a remoçar. Tenha a coragem e a paciência da mulher na história do urso da meia-lua, que aprende a ver além da ilusão. Não se distraia queimando fósforos e fantasias como a pequena menina dos fósforos.

Não desista até encontrar a família à qual pertence, como o patinho feio. Despolua o rio criativo para que La Llorona encontre o que lhe pertence. Como a donzela sem mãos, deixe que o coração paciente a guie floresta afora. Como La Loba, colha os ossos dos palores perdidos e cante para devolvê-los à vida. Perdoe tanto quanto puder, esqueça um pouco e crie muito. O que você faz hoje influencia seus descendentes no futuro. As filhas das filhas das suas filhas irão provavelmente lembrar de você e, o que é mais importante, seguir seu exemplo. (…)

Clarissa Pinkola Estés – Mulheres que correm com os lobos

Para ler mais sobre o que achei do livro, acesse:

https://quase30.home.blog/2019/02/01/mulheres-que-correm-com-os-lobos-mitos-e-historias-do-arquetipo-da-mulher-selvagem-parte-1/

https://quase30.home.blog/2019/02/03/mulheres-que-correm-com-os-lobos-parte-2/

https://quase30.home.blog/2019/02/16/mulheres-que-correm-com-os-lobos-parte-3/

O poder da ação

“Tem poder quem age, tem mais poder quem age certo, e tem super poderes quem age certo na hora certa!”

Já faz uns dias que quero escrever sobre isso aqui, mas fiquei enrolando. Então vamos lá. Muita gente já ouviu falar do livro O poder da ação, do Paulo Vieira. Mas se você nunca leu, bem vindo (a) ao time. Nunca li também, porém já havia ouvido falar pela minha psicologa. Ai um belo dia vi no whatsapp a inscrição para a palestra sobre o livro, resolvi me inscrever e ainda levei meu namorado junto. Chegando lá as palestrantes falaram de um dia de imersão. Você sabe o que é isso? Não? Pois é, eu também não sabia. Mas me inscrevi e lá fui eu. Das 8h as 23h30 com pausas para as refeições. E o que eu achei no fim das contas?

Bom, eu achei legal, mas sinto como se ainda não tivesse caído a ficha, como se a chavezinha que eles falam não tivesse girado. Vi muita gente lá se emocionando, dizendo que foi incrível, extraordinário. Vi gente que menos de um mês depois já lançou o curso que vinha adiando, gente que desabafou. E eu, ainda aqui, assim. O dia foi bem empolgante, deu para refletir algumas coisas e sai com vontade de mudar, mas nada radical e depois esfriou. Ainda fui num encontro onde distribuíamos abraços grátis, mas ainda assim me senti deslocada.

Além disso, parece que depois de tudo, eu tenho me desanimado com mais frequência, como se por eu não sentir uma grande mudança. Minha disposição para fazer as coisas também caiu, eu fico protelando mais. Espero resolver isso logo, mas até lá vou fazendo o que posso.

E você? já leu o livro ou foi a uma imersão? Me conta como foi sua experiência 😉

Mulheres que correm com os lobos (parte 3)

Imagem disponível no facebook da Editora Rocco

Antes de falar sobre o livro em si, preciso dizer o quanto fiquei apaixonada por essa edição de capa dura <3. não sabia que existia, até que vi numa livraria bem pequena, tão lindo. Pena não ter visto antes, sei que o conteúdo é o mesmo, independente da capa, mas amei essa versão.

Agora que já falei dessa capa maravilhosa, vamos ao livro em si rsrs. Já falei minha primeira impressão e comentei um trecho resumido sobre a história de Vasalisa. Agora quero falar um pouco dos capítulos que já li, estou atualmente na página 260, pouco mais da metade. Como mencionei na primeira postagem, é um livro profundo, não dá para falar tudo, mas basicamente todo capítulo conta um conto de fada, mito, lenda e aborda algo a partir dele, até agora só conhecia o Patinho feio e a do barba azul e dos sapatinhos vermelhos lembro que sei que existiam, mas não que conhecesse as histórias. Logo no início do livro a autora Clarissa fala sobre “Cantando sobre os ossos”, conta um pouco da história do livro, do que será abordado, explica o significado do uso da Mulher Selvagem, como ela afeta as mulheres. Nessa parte eu ainda não estava entendendo bem a história, mas isso não me afastou da leitura.

O primeiro capítulo fala sobre La Loba, a mulher-lobo, que segundo a autora, indica o que devemos procurar – a indestrutível força da vida (permaneci até ai sem entender muita coisa) Em seguida, vem o capítulo que conta a história do Barba azul que foi mais fácil de começar a entender, a ingenuidade da mulher e seu despertar para a vida. A seguir vem a história de Vasalisa, da qual já escrevi sobre ela aqui. A partir desse ponto, a leitura começa a fazer mais sentido para mim, e vai melhorando com o passar do tempo. Ao chegar a historia de Manawee eu já consegui entender melhora, a natureza dual das mulheres, consegui me identificar, de forma estranha, com a história da Aurora e Melissa (tenho de lembrar de fazer um post explicando essa história), como nós podemos ter diferentes versões dentro de nós mesmas.

Seguindo nessa linha, ao ler A mulher-esqueleto consegui relacionar o que a autora explica com as fases do amor, com situações do dia a dia, o que me ajudou a refletir. E patinho Feio é o auge do entendimento, olhei e falei é isso mesmo. Quantas vezes não nós encaixamos em um grupo, e demora até acharmos aquele que nos aceita como somos? Acredito que esse capítulo poderia até ser dividido em mais de um, pois é abordado várias coisas (conexas, mas que poderiam ser explicadas separadas se quisessem), como os tipos de mães, as más companhias, aparência e ainda conta também a história do zigoto errado. E por fim em La Mariposa, fala sobre o corpo, nos leva a pensar na atenção que damos a ele.

O livro não acaba aqui, como mencionei, estou pouco depois do meio, ainda há muito que ler e aprender, fiz um resumo bemmmm resumido rsrs, mas posso falar mais de algum capítulo se for do interesse de vocês, é só deixar nos comentários ok 😉

Mulheres que correm com os lobos (parte 2)

Como se toma uma decisão dessas? sabe-se, simplesmente. La Que Sabé sabe. Peça conselhos a ela. Ela é a Mãe dos tempos. nada a surpreende. Ela já viu tudo. para a maioria das mulheres, deixar morrer não é contra sua natureza, é contra sua criação. Isso pode ser modificado. todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.
Pela luz da caveira incandescente, nós sabemos.

Assim como o trecho que coloquei no post Significados diferentes de uma mesma frase, essa parte do livro me chamou atenção. A princípio pensei em apenas destacá-la como imagem no início de um post, mas depois resolvi falar um pouco mais dela, o que significou para mim. O trecho foi retirado do capítulo que conta o conto: A boneca no bolso: Vasalisa, a sabida. Essa história, assim como todos as outras que o livro contou até agora, eu não conhecia. Mas em muito me lembrou a história da Cinderela, apesar de não haver príncipes nem baile.

Basicamente, a mãe de Vasalisa morre logo no início da história, antes de falecer, ela lhe dá uma boneca. Seu pai, um homem bom, casa-se com uma mulher que tem duas filhas e não percebe que elas maltratam Vasalisa, a fazendo de empregada. Um dia, para se livrarem da menina, a mandam buscar fogo na floresta, com a velha Baba Yaga. Ela vai e sua boneca a guia até a casa e se submete as tarefas que Baba lhe ordena, sempre com a ajuda da sua boneca, por fim, consegue o fogo que foi buscar e ao voltar para casa, esse fogo que Yaga lhe deu, consome a madrasta e suas filhas, que morrem.

A autora então explica as fases pelas quais Vasalisa teve de passar, o que ela aprendeu, descobriu, a cada etapa superada. Explica a morte da mãe boa demais e o fortalecimento de sua natureza selvagem. E o capítulo se encerra com o trecho que selecionei.

A boneca de Vasalisa, representa nossa intuição, todas a temos, algumas a seguem, outras não. Algumas se esquecem de ouvir sua voz, mas há sempre como desenvolve-la, escutá-la. Basta se permitir. E foi sobre isso que a frase me fez refletir sobre acontecimentos que lá no fundo eu sentia e não queria admitir. Quantas vezes eu sofri, por não querer deixar algo partir, mesmo com uma parte de mim me dizendo que já era a hora. Quantas vezes me senti egoísta por querer manter alguém comigo, quando no fundo eu a via sofrendo e me senti culpada por desejar que fosse feito o melhor para ela, mesmo no fundo percebendo que naquele momento era a hora de partir e eu não queria deixar ir. Quando penso nessas horas, entendo o significado de que deixar morrer não é contra sua natureza, é contra sua criação.

Não somos criados para deixar morrer, lutamos para preservar a vida, a todo custo. A nossa vida, a de quem amamos. Com isso, por vezes nos esquecemos de que nem sempre temos o poder de decisão. Nem sempre o melhor para mim significa o melhor para o outro. E nessas horas, talvez, seja mesmo a hora de deixar partir. Por mais doloroso que seja para quem fica, talvez até para quem quem, afinal, se não sabemos deixar morrer não tenho certeza se sabemos lidar com a nossa própria morte. Talvez seja doloroso imaginar o sofrimento que causaremos. Ou será que nessa hora já estaremos num estágio em que entenderemos o sentido da natureza e estaremos preparados para completar o ciclo de vida-morte-vida? Isso eu não sei, ainda tenho muito a aprender.

E da mesma forma que temos medo de encarar a morte, também temos medo de encarar a vida, a nossa e a dos outros. Medo de não dar conta, de não conseguir. Medo de falhar, de cair, de não suportar ou não saber como agir. Medo do desconhecido, pois assim como toda morte, toda nova vida é desconhecida. Não há como saber vai ser. É um mundo novo, completo e desconhecido, que só poderá ser trilhado a cada passo. Mas, quando é a hora de dar o primeiro passo? Como saber o momento exato de iniciar? Difícil saber, talvez impossível se não acreditarmos em nós mesmos, em nossa voz interior, em nossa intuição, no nome que desejar dar a essa força que você não consegue explicar, só sente, porque todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte.

Por vezes, até ouvimos essa voz, sabemos que ela está ali, nos guiando, mas duvidamos dela, nos fazemos acreditar que estamos errados, porque temos medo de encarar a realidade que ouvimos dentro de nos, queremos fugir, ou mudar o que não se muda, porque aquilo nos assusta, nos apavora, mas não adianta. Como diz o provérbio chinês: às vezes encontramos nosso destino no caminho que tomamos para evitá-lo. Por mais que a gente fuja, finja que aquilo não é real, ou não tem como acontecer, no fundo da alma nossa voz sabe o que está dizendo. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.

Pela luz da caveira incandescente, nós sabemos.

Mulheres que correm com os Lobos (parte 1)

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem (parte 1)

Entre minhas metas de final de ano estava:
“comprar e LER mais livros de autoconhecimento feminino – um novo sempre que acaba um antigo” acabei acrescentando “ou sempre que achar interessante algum ” após ouvir falar (na verdade ler) sobre este livro. Em minha busca por auto conhecimento, auto aceitação, auto estima ou seja lá o nome que se dê no fundo ao que esteja procurando acabei chegando a um blog que falava sobre a Mulher Selvagem, o Sagrado Feminino ( não lembro agora o blog em si, mas retorno aqui se lembrar) e nele falava sobre o livro Mulheres que correm com os Lobos, achei interessante. Pelo que entendi, falaria sobre características femininas que se assemelham a dos lobos, sobre contos de fadas, interpretando-os. Logo depois, vendo postagens que sempre chegavam a minha caixa de email e eu nunca acompanhava no site da pantys, novamente encontro referência a este livro. Coincidência? Não existem coincidências (Não sei se a frase é de alguém especificamente, mas ouvi em Kung Fu Panda, apesar de ser filme infantil, acredito que traga algum significado real).

Ainda estava lendo o Ouse Crescer, mas senti a necessidade de comprar este livro logo, não esperar o fim da leitura do anterior. Comprei e comecei a ler assim que acabei o outro. Pretendia trazer um resumo, que nem fiz com os dois anteriores, mas cheguei a conclusão que seria difícil fazer isso, é um livro denso e profundo, são mais de 500 páginas que precisam ser lidas com calma, para assimilar todo seu esplendor, talvez nem seja possível absorver tanto assim numa primeira leitura, talvez outras sejam necessárias, ele vai além do que eu havia imaginado que seria. Não é só uma história comparando mulheres e lobos, não são textos falando dos contos de fadas pra mim conhecidos contados de forma diferente, com alguma explicação. São textos intensos, não trata-se de uma linguagem rebuscada, mas ao mesmo tempo é uma linguagem carregada, de significados, de ideias. Não consigo ler muito de uma vez, preciso ler com calma, absorvendo, me alimentando das palavras, frases.

Enquanto leio, tenho uma sensação curiosa, na maioria das vezes é como se pudesse sentir uma força correndo, como um animal, ou uma pessoa livre, pelas montanhas, pela natureza, com o vento percorrendo o corpo, como ondas que minhas mãos algumas vezes chegam a desenhar pelo ar. Pode parecer loucura, ou imaginação, mas essa é a melhor maneira que encontrei de descrever a sensação. E a leitura que de início parecia bem difícil de entender, vai ficando mais familiar, como se eu fosse me adaptando a linguagem, ou ela fosse ganhando mais sentido.

Às vezes, não consigo fazer ligação da história com a minha vida, com meus pensamentos, com situações que me exemplifiquem o que ela quer dizer. Outras horas, faz sentido, faz tanto sentido que eu consigo enxergar a Aurora e a Melissa (em outro momento explico mais sobre elas) e ao mesmo tempo que as enxergo não consigo definir quem é quem. Por vezes vejo traços da censora e da mentora interior, que a Tara falava em seu livro.

Por tudo isso, por toda a complexidade e importância da leitura deste livro, não tem como eu resumir sua história sem privá-los de muito do conhecimento que pode ser adquirido ao sentir o texto inteiro.É preciso ler, apreciar, se deixar envolver, para conseguir captar a real essencia, em todos os sentidos. O que tentarei fazer é resumir para apenas dar-lhes a noção do texto, lembrando-os que a sua leitura é imprescindível. Como ainda estou lendo, e mesmo que tivesse terminado falar tudo junto seria muita coisa de uma só vez, irei compartilhando aqui aos poucos sobre os capítulos, deixando link aqui para os demais posts que for acrescentando com os resumos, a medida que for fazendo. Boa leitura.

Mulheres que correm com os Lobos (parte 2)

Livro: Ouse Crescer – encontre sua voz e deixe sua marca no mundo

Comprei o livro sem conhecer nada sobre ele, não havia visto nenhum vídeo no youtube, nem lido nenhuma resenha, comprei porque me interessei pelo título, parecia ser interessante e eu estava pensando sobre algumas coisas, dentre elas, como se autoconhecer. Parecia ser um bom livro para ler, nessa perspectiva. Junto com esse comprei mais um livro nesse sentido, 2 p/ mim, além de a sutil arte de ligar o foda-se, que comprei porque achei que devia me importar menos com os outros, mas esse é assunto pra outro post.

Voltando a Ouse Crescer, o livro tem 239 páginas ao todo, de capa a agradecimento, o que costuma ser um livro rápido de ler (pra demorar ou era um livro muito chato, ou muito longo). Apesar disso passei mais de 6 meses para concluir. E não foi por ser chato, ao contrário, o livro é muito bom, em todo fim de capítulo há um resumo das grandes ideias. E o primeiro capítulo é com certeza meu favorito.

No 1° capítulo a autora Tara Mohr fala sobre nossa censora interior, aquela vozinha na mente que muitas vezes (a maioria, pra não dizer todas) nos puxa pra baixo, dizendo que não somos capazes de realizar algo, por exemplo. No texto, a escritora nos leva a refletir sobre quem é essa voz, porque ela diz o que nos diz, que somos fracas e não conseguiremos? Com quem essa voz se parece? Será que é influencia de algo que vivemos, alguém que conhecemos? Tara nos ensina como lidar com essa voz e sugere a criação de um diário para anotarmos diversas coisas que a censora nos diz (e muitas outras coisas que vão surgindo ao longo do livro), ao fim do capítulo, é sugerido perguntas para serem respondias, considerações para levarmos em conta ao analisar essa voz que nos acompanha e não nos ajuda a ousar crescer. Passei meses nesse capítulo e ainda sinto que devo voltar nele, pois não conheço ainda completamente minha censora, e quanto mais a conhecer, mais fraca ela será.

Logo após o capítulo da censora, vez o da mentora interior, para que saibamos que temos não só a voz de repreensão, mas também a da sabedoria. Agora a autora fala que não acredita que haja a personagem da “mentora” (do jeito que havia a censora), mas que esta seria a nossa voz livre do medo, se conseguissemos ver a vida se expressasemos o que realmente queremos. Há até um exercício de visualização giada para que possamos “enxergar” nosso eu futuro, além de mais perguntas para o diário

Somos ainda apresentadas ao medo em duas formas: pachad e yirah. O primeiro que se manifesta vindo da censora interior (seria o medo fruto da imaginação) já o segundo a autora diz ter três significados:

ligado ao sentimento quando estamos em um lugar maior que o acostumado

quando somos tomadas por uma energia maior do que a que tinhamos

e que sentimos na presença do divino

Ao longo do texto ela explica melhor cada um desses pontos e mostra como diferenciar pachad e yirah  e dicas contra o pachad

No capítulo seguinte descobrimos como o elogia e a crítica podem nos fazer bem ou mal, não nessa ordem necessariamente, a depender de como as interpretamos. Nesse capítulo, considero o ponto alto a ideia que “o feedback não fala sobre você, fala de quem lhe dá o feedback”, é uma perspectiva nova e bem interessante de ver as coisas por esse ângulo.

Superado os elogios e críticas, somos levadas a refletir nos hábitos de boa aluna, em como a escola nos molda a seguir padrões, regras, comportamentos, que nem sempre nos ajudam (muitas vezes atrapalham, isso sim), pois aprendemos a adaptar-se as figuras de autoridade, mas esquecem de nos ensinar a questioná-las, a nos autopromovermos (sem precisar prejudicar os outros).

Em seguida, podemos observar as formas como nós, mulheres, nos escondemos atrás de desculpas para não ousar crescer, nas estratégias que adotamos para adiar a mudança que queremos e devemos fazer em nós, por nós.

No capítulo em que fala do salto, Tara nos sugere formas de superar as estratégias que usamos para permanecer sem ousar crescer, modos práticos de agirmos em um curto espaço de tempo, dar o primeiro passo. Foi algo interessante, pois me identifique nessa parte, pois por anos eu queria escrever num blog e divulgar com as pessoas, mas sempre tive medo (pachad), então decidir abrir este blog e compartilhar foi o meu salto. Neste capítulo ela mostra critérios que o salto deve ter e o que não é considerado um salto na direção de ousar crescer.

Em comunicando-se com vigor, a escritora aborda modos de falar que as mulheres costumam adotar e que acabam sendo sabotadores, como usar só, apenas, talvez, quando queremos dizer algo, mas temos medo da reação da outra pessoa. Esses e outros hábitos não nos ajudam, na verdade dificultam nossa comunicação.

Aprendemos ainda no livro a ouvir nossos chamados, que de acordo com a autora “é um anseio de atender a certa necessidade ou resolver um problema”. Vemos então oito maneiras de reconhecer um chamado e quais objeções costumamos colocar quando o recebemos.

A última lição, digamos assim, trata sobre como podemos facilitar as coisas, não precisamos fazer tudo sozinhas, podemos pedir ajuda. Além disso, aprendemos a estabelecer “objetivos- satisfação” ao invés de termos “objetivos-obrigação”

Existe ainda no livro um capítulo de introdução e outro de conclusão, onde Tara conta um pouco de como o livro nasceu, e histórias de como ele foi construído, dentre outras coisas. Ao logo de todo o texto ela ainda mostra histórias de mulheres que ousaram crescer, que participaram do curso que a autora ministra, além de muitos exemplos que ajudam a entender com clareza o que ela tenta passar.

Enfim, é isso. Um ótimo livro, não tem como acabar de ler do mesmo jeito que você começou. Vale a pena pra quem está atrás de autoconhecer-se melhor e não sabe por onde começar. Boa leitura 😉