
Comprei o livro sem conhecer nada sobre ele, não havia visto nenhum vídeo no youtube, nem lido nenhuma resenha, comprei porque me interessei pelo título, parecia ser interessante e eu estava pensando sobre algumas coisas, dentre elas, como se autoconhecer. Parecia ser um bom livro para ler, nessa perspectiva. Junto com esse comprei mais um livro nesse sentido, 2 p/ mim, além de a sutil arte de ligar o foda-se, que comprei porque achei que devia me importar menos com os outros, mas esse é assunto pra outro post.
Voltando a Ouse Crescer, o livro tem 239 páginas ao todo, de capa a agradecimento, o que costuma ser um livro rápido de ler (pra demorar ou era um livro muito chato, ou muito longo). Apesar disso passei mais de 6 meses para concluir. E não foi por ser chato, ao contrário, o livro é muito bom, em todo fim de capítulo há um resumo das grandes ideias. E o primeiro capítulo é com certeza meu favorito.
No 1° capítulo a autora Tara Mohr fala sobre nossa censora interior, aquela vozinha na mente que muitas vezes (a maioria, pra não dizer todas) nos puxa pra baixo, dizendo que não somos capazes de realizar algo, por exemplo. No texto, a escritora nos leva a refletir sobre quem é essa voz, porque ela diz o que nos diz, que somos fracas e não conseguiremos? Com quem essa voz se parece? Será que é influencia de algo que vivemos, alguém que conhecemos? Tara nos ensina como lidar com essa voz e sugere a criação de um diário para anotarmos diversas coisas que a censora nos diz (e muitas outras coisas que vão surgindo ao longo do livro), ao fim do capítulo, é sugerido perguntas para serem respondias, considerações para levarmos em conta ao analisar essa voz que nos acompanha e não nos ajuda a ousar crescer. Passei meses nesse capítulo e ainda sinto que devo voltar nele, pois não conheço ainda completamente minha censora, e quanto mais a conhecer, mais fraca ela será.
Logo após o capítulo da censora, vez o da mentora interior, para que saibamos que temos não só a voz de repreensão, mas também a da sabedoria. Agora a autora fala que não acredita que haja a personagem da “mentora” (do jeito que havia a censora), mas que esta seria a nossa voz livre do medo, se conseguissemos ver a vida se expressasemos o que realmente queremos. Há até um exercício de visualização giada para que possamos “enxergar” nosso eu futuro, além de mais perguntas para o diário
Somos ainda apresentadas ao medo em duas formas: pachad e yirah. O primeiro que se manifesta vindo da censora interior (seria o medo fruto da imaginação) já o segundo a autora diz ter três significados:
ligado ao sentimento quando estamos em um lugar maior que o acostumado
quando somos tomadas por uma energia maior do que a que tinhamos
e que sentimos na presença do divino
Ao longo do texto ela explica melhor cada um desses pontos e mostra como diferenciar pachad e yirah e dicas contra o pachad
No capítulo seguinte descobrimos como o elogia e a crítica podem nos fazer bem ou mal, não nessa ordem necessariamente, a depender de como as interpretamos. Nesse capítulo, considero o ponto alto a ideia que “o feedback não fala sobre você, fala de quem lhe dá o feedback”, é uma perspectiva nova e bem interessante de ver as coisas por esse ângulo.
Superado os elogios e críticas, somos levadas a refletir nos hábitos de boa aluna, em como a escola nos molda a seguir padrões, regras, comportamentos, que nem sempre nos ajudam (muitas vezes atrapalham, isso sim), pois aprendemos a adaptar-se as figuras de autoridade, mas esquecem de nos ensinar a questioná-las, a nos autopromovermos (sem precisar prejudicar os outros).
Em seguida, podemos observar as formas como nós, mulheres, nos escondemos atrás de desculpas para não ousar crescer, nas estratégias que adotamos para adiar a mudança que queremos e devemos fazer em nós, por nós.
No capítulo em que fala do salto, Tara nos sugere formas de superar as estratégias que usamos para permanecer sem ousar crescer, modos práticos de agirmos em um curto espaço de tempo, dar o primeiro passo. Foi algo interessante, pois me identifique nessa parte, pois por anos eu queria escrever num blog e divulgar com as pessoas, mas sempre tive medo (pachad), então decidir abrir este blog e compartilhar foi o meu salto. Neste capítulo ela mostra critérios que o salto deve ter e o que não é considerado um salto na direção de ousar crescer.
Em comunicando-se com vigor, a escritora aborda modos de falar que as mulheres costumam adotar e que acabam sendo sabotadores, como usar só, apenas, talvez, quando queremos dizer algo, mas temos medo da reação da outra pessoa. Esses e outros hábitos não nos ajudam, na verdade dificultam nossa comunicação.
Aprendemos ainda no livro a ouvir nossos chamados, que de acordo com a autora “é um anseio de atender a certa necessidade ou resolver um problema”. Vemos então oito maneiras de reconhecer um chamado e quais objeções costumamos colocar quando o recebemos.
A última lição, digamos assim, trata sobre como podemos facilitar as coisas, não precisamos fazer tudo sozinhas, podemos pedir ajuda. Além disso, aprendemos a estabelecer “objetivos- satisfação” ao invés de termos “objetivos-obrigação”
Existe ainda no livro um capítulo de introdução e outro de conclusão, onde Tara conta um pouco de como o livro nasceu, e histórias de como ele foi construído, dentre outras coisas. Ao logo de todo o texto ela ainda mostra histórias de mulheres que ousaram crescer, que participaram do curso que a autora ministra, além de muitos exemplos que ajudam a entender com clareza o que ela tenta passar.
Enfim, é isso. Um ótimo livro, não tem como acabar de ler do mesmo jeito que você começou. Vale a pena pra quem está atrás de autoconhecer-se melhor e não sabe por onde começar. Boa leitura 😉