Natal, com ou sem papai Noel?

Já faz uns dias que reflito sobre o tema. Tudo começou com uma promoção no Instagram. Quem me segue a mais tempo sabe que eu amo promoções, de frango a produto de beleza, seja abaixo do preço ou grátis. Pois bem, um perfil qie sigo prometeu alguns vales para as seguidoras mais engajadas durante deerminado período de tempo eu não entendi o que era o brinde, mas era de natal, resolvi participar, comecei a curtir e comentar tudo, ganhei o cupom, só ai descobri para que era: um site que tem vídeos do papai koel, onde ele fala o nome da criança e tal. Tem algumas opções de videos diferentes, só assisti 2, confesso, porque eles seguiam a mesma linha e eu não tive paciência para assistir mais.

E qual o problema dos vídeos? Bom um era chatinho, o outro até era mais legal, o problema estava quando chegava o papai noel para falar da criança ( não vou nem comentar sobre a qualidade do video ou como inserem o nome das crianças de forma meio artificial no meio do textl, porque em partes entendo que aquele é um modelo padrão e eles só alteram para caa criança). Nos dois vídeos que assisti, o papai noel condicionada o presente a criança se comportar durante o ano, em um os duendes davam o veredito, no outro, aparecia numa lista. O fato é que foi daí que me veio o primeiro incômodo: esse condicionamento, comecei a pensar se era essa mensagem que eu queria passar pro meu bebê ( ele tem 7m, mas o video ele podera ver quando estiver maior ), resultado, até hoje não resgatei o cupom e tenho dúvidas se o farei.

Para completar, esses dias vários perfis que sigo começaram a falar sobre essa questão de como passamos para a criança a imagem do papai Noel. Dai, chegamos a outro ponto que nunca havia pensado: a mentira. Se digo a meu filho que papai Noel existe, estou mentindo. E quem mente uma vez que seja, perde a confiança. Você pode achar besteira, mas pra mim faz sentido, se não quero que meu filho ache normal mentir, como passar anos mentindo para ele ( eu era uma criança de interior bem tola, acreditava no papai noel, acho que até uns 13 anos ( ou mais) eu ainda tinha dúvidas se ele exitia ou se era minha familia que colocava os presentes na árvore. O natal sempre foi uma época especial paa mim, a manha quando acordava e ia até a árvore abrir presentes era minha parte favorita, mas confesso que perdeu um pouco a graça a partir do momento que o papai Noel deixou de existir, simplesmente como se “por ter crescido você já sabe que não tem e acabou”. Ainda gosto do período natalino, é minha comemoração favorita, fico ansiosa paa decorar a árvore, mas o encanto dos presentes acabou.

Foi então que vi uns stories e um post da Mari no Instagram ( procure: umamaepediatra) onde ela falava que não dizia que tinha papai Noel, mas também não dizia que não, deixava livre a imaginação do filho, falando coisas como “nunca vi, mas ouvi dizer…”. Assim a criança usa a imaginação com o resto. Não precisamos ” cancelar o papai Noel”, basta ressignificar. Isso fez muito sentido para mim. Como meu bebê ainda não entende sobre o papai Noel, ainda tenho um tempo para pensar melhor em como tratarei o tema com ele.

E pra você, como deve ser o Natal? Com ou sem o papai Noel? Me conta😉

Mulheres que correm com os lobos (parte 2)

Como se toma uma decisão dessas? sabe-se, simplesmente. La Que Sabé sabe. Peça conselhos a ela. Ela é a Mãe dos tempos. nada a surpreende. Ela já viu tudo. para a maioria das mulheres, deixar morrer não é contra sua natureza, é contra sua criação. Isso pode ser modificado. todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.
Pela luz da caveira incandescente, nós sabemos.

Assim como o trecho que coloquei no post Significados diferentes de uma mesma frase, essa parte do livro me chamou atenção. A princípio pensei em apenas destacá-la como imagem no início de um post, mas depois resolvi falar um pouco mais dela, o que significou para mim. O trecho foi retirado do capítulo que conta o conto: A boneca no bolso: Vasalisa, a sabida. Essa história, assim como todos as outras que o livro contou até agora, eu não conhecia. Mas em muito me lembrou a história da Cinderela, apesar de não haver príncipes nem baile.

Basicamente, a mãe de Vasalisa morre logo no início da história, antes de falecer, ela lhe dá uma boneca. Seu pai, um homem bom, casa-se com uma mulher que tem duas filhas e não percebe que elas maltratam Vasalisa, a fazendo de empregada. Um dia, para se livrarem da menina, a mandam buscar fogo na floresta, com a velha Baba Yaga. Ela vai e sua boneca a guia até a casa e se submete as tarefas que Baba lhe ordena, sempre com a ajuda da sua boneca, por fim, consegue o fogo que foi buscar e ao voltar para casa, esse fogo que Yaga lhe deu, consome a madrasta e suas filhas, que morrem.

A autora então explica as fases pelas quais Vasalisa teve de passar, o que ela aprendeu, descobriu, a cada etapa superada. Explica a morte da mãe boa demais e o fortalecimento de sua natureza selvagem. E o capítulo se encerra com o trecho que selecionei.

A boneca de Vasalisa, representa nossa intuição, todas a temos, algumas a seguem, outras não. Algumas se esquecem de ouvir sua voz, mas há sempre como desenvolve-la, escutá-la. Basta se permitir. E foi sobre isso que a frase me fez refletir sobre acontecimentos que lá no fundo eu sentia e não queria admitir. Quantas vezes eu sofri, por não querer deixar algo partir, mesmo com uma parte de mim me dizendo que já era a hora. Quantas vezes me senti egoísta por querer manter alguém comigo, quando no fundo eu a via sofrendo e me senti culpada por desejar que fosse feito o melhor para ela, mesmo no fundo percebendo que naquele momento era a hora de partir e eu não queria deixar ir. Quando penso nessas horas, entendo o significado de que deixar morrer não é contra sua natureza, é contra sua criação.

Não somos criados para deixar morrer, lutamos para preservar a vida, a todo custo. A nossa vida, a de quem amamos. Com isso, por vezes nos esquecemos de que nem sempre temos o poder de decisão. Nem sempre o melhor para mim significa o melhor para o outro. E nessas horas, talvez, seja mesmo a hora de deixar partir. Por mais doloroso que seja para quem fica, talvez até para quem quem, afinal, se não sabemos deixar morrer não tenho certeza se sabemos lidar com a nossa própria morte. Talvez seja doloroso imaginar o sofrimento que causaremos. Ou será que nessa hora já estaremos num estágio em que entenderemos o sentido da natureza e estaremos preparados para completar o ciclo de vida-morte-vida? Isso eu não sei, ainda tenho muito a aprender.

E da mesma forma que temos medo de encarar a morte, também temos medo de encarar a vida, a nossa e a dos outros. Medo de não dar conta, de não conseguir. Medo de falhar, de cair, de não suportar ou não saber como agir. Medo do desconhecido, pois assim como toda morte, toda nova vida é desconhecida. Não há como saber vai ser. É um mundo novo, completo e desconhecido, que só poderá ser trilhado a cada passo. Mas, quando é a hora de dar o primeiro passo? Como saber o momento exato de iniciar? Difícil saber, talvez impossível se não acreditarmos em nós mesmos, em nossa voz interior, em nossa intuição, no nome que desejar dar a essa força que você não consegue explicar, só sente, porque todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte.

Por vezes, até ouvimos essa voz, sabemos que ela está ali, nos guiando, mas duvidamos dela, nos fazemos acreditar que estamos errados, porque temos medo de encarar a realidade que ouvimos dentro de nos, queremos fugir, ou mudar o que não se muda, porque aquilo nos assusta, nos apavora, mas não adianta. Como diz o provérbio chinês: às vezes encontramos nosso destino no caminho que tomamos para evitá-lo. Por mais que a gente fuja, finja que aquilo não é real, ou não tem como acontecer, no fundo da alma nossa voz sabe o que está dizendo. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.

Pela luz da caveira incandescente, nós sabemos.

Mulheres que correm com os Lobos (parte 1)