A semana com pantys

Acredito que já deu para notar que eu adoro a pantys, já falei pelo menos duas vezes dela aqui e vim falar de novo. Porque? Porque acho incrível. A primeira eu comprei no início do ano passado, no fim do ano comprei mais três. Agora finalmente tive coragem de só usar apenas elas um ciclo inteiro, e vim compartilhar.

No primeiro dia, o fluxo estava bem baixo, fui ao trabalho pela manhã e passei o resto do dia em casa. Apesar de fluxo baixo, eu senti a necessidade de trocar algumas vezes não por sentir que estava cheia ou úmida e sim, por causa do cheiro, não sei se era paranoia, mas senti o cheiro algumas vezes, fiquei com receio de não conseguir passar a semana só com elas, afinal pelas experiências anteriores, ela demorava mais de um dia para secar, e eu só tinha quatro para trocar, podia não dar tempo.

No segundo dia o fluxo foi maior, tinha consulta as 8:30 e fiquei com receio de vazar, mas lá fui eu. Foi tranquilo, algumas horas eu ficava pensando, será que ta vazando, que vai sujar a cadeira? Mas logo eu esquecia. Os outros dias eu passei em casa, fui duas vezes na academia, no 2° e 4° dia de fluxo, e não tive problema.

Resumindo, não tive problemas em nenhum dos dias, seja em casa, no trabalho, academia ou médico. Também não senti ela úmida em nenhum dos dias, o que sentia era o cheiro após algumas horas, ai me baseava nisso para trocar . Se eu pudesse sugerir algo, seria o forro ser branco (ou ter essa opção, caso alguém prefira o preto). Eu adoro o preto, porque sei que é mais bonito não ver manchado, mas sinto que no preto eu não tenho ainda a noção de quanto foi absorvido antes da troca, e eu queria saber, até porque eu sinto que meu ciclo reduziu o fluxo após parar o anticoncepcional, mas não consigo visualizar isso no forro preto, e senti falta.

Mas o melhor é a sensação de não estar abafada, o absorvente plástico deixava a pele irritada com o passar dos dias, com a pantys você dorme e acorda bem. Pretendo comprar o short absorvente dreamer , mas ainda vai levar um tempo pois ele custa 105 dinheirinhos.

Promoções e minimalismo, isso combina?

arquivo pessoal

Adoro promoções. Tanto dessas onde a loja dá 10, 20, 50% de desconto ao comprar um produto, quanto essas que são pra nos dar brindes 0800. A primeira vez que recebi algo em uma promoção assim foi uma vez que escrevi para uma revista de história em quadrinho e ganhei um caderno e uma agenda. Depois ganhei umas bonecas. Por fim um sapato. Isso lá pelos anos 2000 e alguma coisa. Foi então que de um ou dois anos para cá vi uma promoção em que você cadastrava no site e ganhava uma hidratação. Porque não tentar? Me cadastrei e ganhei. Oba. Ai foram aparecendo outras assim e fui fazendo, nisso comecei a compartilhar com a família, as amigas, ganhei máscaras, lápis de olho, hidratantes, amostra de perfume que mandaram pra casa. Só não consegui uma de um perfume que estava louca para testar 😦 a mais recente também é de amostra de um perfume novo masculino. Me cadastrei para receber em casa.

Mas não parei só nessas. Já ganhei esmalte e hidratante de outra marca como presente de aniversário, além de uma necessaire linda ao comprar 2 esmaltes. Já comprei em sites que dão brindes a partir de determinado valor de compra. Comprei esmaltes e ganhei 2 necessaires. Depois, comprei 2 máscaras de cílios e uns produtos de cabelo e ganhei um monte de amostras grátis, um espelho e mais uma necessaire (começando a colecionar rsrs) Além disso, já participei de promoções da P&G que comprava produtos da marca e eles te devolviam o valor, a última vez, comprei escova e pasta de dente da oral B e recebi o dinheiro de volta. Já estou de olho em uma da vanish que vi no supermercado no fim de semana. E recebi esses dias em casa as amostras da pantene que coloquei no início do post. Tudo grátis.

Então, pensando em tudo isso que ganhei, vem a pergunta: isso é realmente bom? Pensando na sustentabilidade do planeta, em adotar um estilo de vida minimalista, isso não está indo na contramão? Tenderia a dizer que isso não é legal, porque está incentivando o consumo. Mas essa seria uma resposta pronta, na linha do politicamente correto. Será que no fundo, é essa a minha resposta mesmo? Ainda estou tentando achar a resposta a essa pergunta.

Considero que tenho um consumo normal. Não vivo comprando coisas todos os dias e tento evitar desperdiçar. Acho que o minimalismo é um universo amplo e com várias ramificações. Para alguns, ser minimalista significa ter X peças de roupas, viver com Y objetos, não produzir quase nenhum lixo e usar produtos naturais e orgânicos sempre. para outros não é preciso determinar o número de produtos que você usa, mas você precisa comprar sempre de produtores locais. E por ai vai, diversas formas de enxergar a situação. Sempre há alguns extremos. E eu já comecei a entrar em um deles uma vez, porém pra mim não deu certo.

Eu estava determinada a só usar produtos naturais no meu corpo. Sabonete, maquiagem, shampoo e condicionador, máscara de cílios, protetor labial. Tudo natural, orgânico, certificado. O problema foi que não eram coisas acessíveis para minha realidade. Comprei sombra, blush, base, corretivo, pó e pinceis de maquiagem num total de quase 800 dinheirinhos e o que aconteceu? Os produtos perderam a validade antes de usa-los. Me maquio muito pouco, 1 vez no mês e olhe lá, se não houver nenhuma festa pra ir. E os produtos naturais tem uma validade em geral menor que os demais. Comprei um shampoo e condicionador (100 dinheirinhos) de uma marca super recomendada e quando fi usar não suportei o cheiro de lavanda (que é um cheiro que costumo gostar), a máscara de cílios deles borrava toda a região dos olhos. O protetor labial venceu antes de acabar o produto ( e olha que esse eu usava todo dia) e não tinha na loja mais para vender. O sabonete foi o único que ainda aproveitei bem, mas custava quase 50 dinheirinhos um frasco de 480ml. Analisando as compras que fiz percebi que: gastei dinheiro e ainda desperdicei recurso natural. Porque a maioria das coisas foi desperdiçada. Eu tentando ser o máximo minimalista que conseguia, acabei sendo uma consumista, porque consumi mais e usei menos. Além de que a longo prazo a conta não ia bater. Não tenho condições de gastar 800 dinheiros em maquiagem duas vezes por ano, sendo que num ano não gasto nem metade do produto.

Depois disso, parei para pensar sobre o assunto e entendi que o minimalismo tem de ser visto a partir do que eu vejo dele para mim. Não adianta eu tentar seguir padrões externos sem antes entender os meus. Só vai gerar desperdício. Ao invés de radicalizar e não seguir nada, decidi pensar: como posso diminuir o consumo? Como reaproveitar esse ou aquele material que já tenho? Como ser mais saudável? Começar, mesmo que em pequenos passos. mais vale um pouco por dia, todo dia, que muito de uma única vez e que nada muda, só gera mais do mesmo. Não importa se eu tenho X ou X+1 peças, o que importa é que eu realmente use todas elas. cada pessoa tem necessidades diferentes e o minimalismo irá também se encaixar de formas diferentes. o importante é que você consiga perceber que pode melhorar seu modo de consumo e buscar as formas de como fazer isso, ai com o tempo você vai aprimorando, substituindo peças de roupas sintéticas por algodão orgânico, absorventes plásticos por calcinhas absorventes ou coletores, evitando uso de sacolas plásticas, comprando menos por impulso, comprando só o necessário e por ai vai.

Dessa forma, acho que o minimalismo pode sim conviver com as promoções, desde que se tenha uma consciência de que aquele produto vai ser mesmo aproveitado até o fim. Só porque você não pagou por ele não significa que isso é ruim. Se você ia comprar o hidratante e ganhou, qual mal nisso? Eu não vejo problema, só é preciso dar um uso correto para as coisas. o bom senso sempre é o fundamental

Você conhece seu ciclo?

Eu não conheço o meu. Sei muito pouco sobre ele. A uns 5 anos uso o mesmo aplicativo de celular para marcar os ciclos, e alguns sintomas. Muito poucos sintomas na verdade, acho que os mais usados eram fome e dor de cabeça. Do início do ano para cá, entretanto, passei a usar mais, principalmente durante o ciclo anterior. O motivo? Bom, não sei se tem um motivo ao certo, mas influenciou o fato de ter parado a pílula e ter iniciado minha procura por autoconhecimento. A primeira influenciou a segunda, e não o contrário. Parei com o remédio porque a médica suspeitou que ele pudesse ta dando efeitos colaterais. Já tinha ouvido falar um pouco sobre pontos negativos de usar, mas nunca dei muita importância de pesquisar sobre isso, afinal, era uma maravilha, eu não tinha mais cólica, sabia quando começava e terminava. Perfeito.

Quando tive de suspender foi que comecei a pensar em como fazer para manter o controle e comecei a pensar em me informar sobre o tema. A Pantys (de novo ela) sempre abordava o assunto dos nossos ciclos menstruais e resolvi procurar mais. Até que achei o site Mandala Lunar, e lá falava sobre a confecção de uma mandala a partir e nossos ciclos, achei interessante, mas a ideia de preencher me desanimou um pouco, por vezes sou meio relaxada, meio preguiçosa. Foi quando resolvi usar mais o aplicativo para tentar acompanhar melhor os meus sintomas.

Passou-se o tempo e eu fui lendo o livro Mulheres que correm com os Lobos e enquanto esperava o 2° ciclo do ano resolvi falar aqui do site da pantys, acabei com isso conhecendo a @samira_omg, que postou no insta dela falando sobre o que? A mandala lunar. justamente a mesma do site que vi a uns tempos. No site deles vende uma agenda/diário/calendário… e ela estava falando sobre isso e perguntando quem usava ou tinha vontade de usar, acabamos conversando um pouco nos comentários e comecei a me animar com o tema novamente. Queria comprar, mas são 72 dinheirinhos mais o frete, o que no momento ficou inviável para mim porque o orçamento está apertado esses dias 😦

Mas vi no site que eles disponibilizaram a lunação mensal \0/ em pdf. Ai baixei e pretendo usar enquanto a grana não entra pra eu poder comprar a agenda. E além disso, no blog deles ainda tem um monte de texto legal falando sobre nossos ciclos. Comecei a ler e percebi que realmente conheço muito pouco meu ciclo. Pra começar, eu achava que ele começava no 1° dia da menstruação e descobri que não, que na verdade ela é o final. E que não é a menstruação que atrasa e sim a ovulação. Pois é, de acordo com a postagem deles, em qualquer época de nossas vidas, a menstruação vem determinada quantidade de dias após a ovulação, isso não muda. O que muda é esse dia de ovulação, a depender de diferentes fatores. Achei incrível saber disso. Super recomendo a postagem deles sobre ciclo menstrual, se você, assim como eu, não sabia disso, se sabe muito ou pouco sobre seu ciclo, não importa, afinal, conhecimento nunca é demais. Aproveita e olha as outras postagens, ainda estou lendo, mas já estou gostando. Depois volto para contar o que achei do uso da mandala lunar. Vou testar um pouco antes de escrever pra vocês.

Você já conhece o site da Pantys?

Imagem disponível no facebook da Pantys

Já falei sobre a pantys aqui. Na época que usei pela primeira vez elas um dia inteiro. Agora, estou prestes a entrar no 12° ciclo após a primeira compra e me preparando para passar o primeiro ciclo inteiro usando as calcinhas absorventes da marca. Mas não é exatamente sobre isso que vim falar, e sim sobre o site da pantys, vocês conhecem? Tem tudo que você precisa saber para comprar a sua primeira (segunda, terceira…) calcinha absorvente, como funciona, instagram da marca, facebook, tem até uma calculadora de absorventes que deixa você saber quantos absorventes já usou (claro, é uma aproximação, mas já dá pra ter noção) e quantos vai economizar com a pantys.

Esse foi o meu resultado usando a calculadora de absorventes

Além de tudo isso, a parte mais legal que eu acho do site é o blog, que fala de diferentes temas, como estilo de vida, menstruação (lógico) saúde, sexualidade, sustentabilidade, além de dar sugestões de livros ( lá foi um dos locais que vi falando do Mulheres que correm com os Lobos). São textos simples, que você pode ler rapidinho, mas que te ajudam a pensar sobre vários temas. A última postagem deles As cores que pintam nosso ciclo, achei super legal, sempre bate uma dúvida do porque cores diferentes num mesmo ciclo, e eles explicam de modo fácil. Quanto mais a gente aprende sobre nós mesmas, mais nos aceitamos. E aceitação é tudo não é mesmo 😉

Mulheres que correm com os lobos (parte 3)

Imagem disponível no facebook da Editora Rocco

Antes de falar sobre o livro em si, preciso dizer o quanto fiquei apaixonada por essa edição de capa dura <3. não sabia que existia, até que vi numa livraria bem pequena, tão lindo. Pena não ter visto antes, sei que o conteúdo é o mesmo, independente da capa, mas amei essa versão.

Agora que já falei dessa capa maravilhosa, vamos ao livro em si rsrs. Já falei minha primeira impressão e comentei um trecho resumido sobre a história de Vasalisa. Agora quero falar um pouco dos capítulos que já li, estou atualmente na página 260, pouco mais da metade. Como mencionei na primeira postagem, é um livro profundo, não dá para falar tudo, mas basicamente todo capítulo conta um conto de fada, mito, lenda e aborda algo a partir dele, até agora só conhecia o Patinho feio e a do barba azul e dos sapatinhos vermelhos lembro que sei que existiam, mas não que conhecesse as histórias. Logo no início do livro a autora Clarissa fala sobre “Cantando sobre os ossos”, conta um pouco da história do livro, do que será abordado, explica o significado do uso da Mulher Selvagem, como ela afeta as mulheres. Nessa parte eu ainda não estava entendendo bem a história, mas isso não me afastou da leitura.

O primeiro capítulo fala sobre La Loba, a mulher-lobo, que segundo a autora, indica o que devemos procurar – a indestrutível força da vida (permaneci até ai sem entender muita coisa) Em seguida, vem o capítulo que conta a história do Barba azul que foi mais fácil de começar a entender, a ingenuidade da mulher e seu despertar para a vida. A seguir vem a história de Vasalisa, da qual já escrevi sobre ela aqui. A partir desse ponto, a leitura começa a fazer mais sentido para mim, e vai melhorando com o passar do tempo. Ao chegar a historia de Manawee eu já consegui entender melhora, a natureza dual das mulheres, consegui me identificar, de forma estranha, com a história da Aurora e Melissa (tenho de lembrar de fazer um post explicando essa história), como nós podemos ter diferentes versões dentro de nós mesmas.

Seguindo nessa linha, ao ler A mulher-esqueleto consegui relacionar o que a autora explica com as fases do amor, com situações do dia a dia, o que me ajudou a refletir. E patinho Feio é o auge do entendimento, olhei e falei é isso mesmo. Quantas vezes não nós encaixamos em um grupo, e demora até acharmos aquele que nos aceita como somos? Acredito que esse capítulo poderia até ser dividido em mais de um, pois é abordado várias coisas (conexas, mas que poderiam ser explicadas separadas se quisessem), como os tipos de mães, as más companhias, aparência e ainda conta também a história do zigoto errado. E por fim em La Mariposa, fala sobre o corpo, nos leva a pensar na atenção que damos a ele.

O livro não acaba aqui, como mencionei, estou pouco depois do meio, ainda há muito que ler e aprender, fiz um resumo bemmmm resumido rsrs, mas posso falar mais de algum capítulo se for do interesse de vocês, é só deixar nos comentários ok 😉

Bolo de tapioca

Aqui no blog já escrevi sobre como fazer ovo de páscoa e biscoito,  dessa vez resolvi trazer esse bolo que conheci a pouco tempo e fiz pela primeira vez hoje. Vamos a receita e depois uns comentários.

Materiais

500 g de tapioca seca
500 ml de leite integral
50 ml de leite de coco
1 caixa de leite condensado
2 colheres sopa de açúcar
coco ralado (uma unidade)

Modo de preparo

  1. Misture o leite integral, leite de coco e o leite condensado. Em seguida acrescente o açúcar e misture bem.
    Acrescente aos poucos o coco ralado, deixando um pouco reservado para decorar o bolo
  2. Unte a forma de alumínio ou refratário com um pouco da mistura líquida. Em seguida, coloque a tapioca seca cobrindo todo o fundo da forma e molhe com a mistura líquida até umedecer a tapioca. Repita esse processo até a altura que desejar para o bolo
  3. Quando a tapioca estiver bem úmida, coloque na geladeira de 40 a 60 min.
  4. Desenforme o bolo e coloque um pouco de leite condensado e coco ralado por cima para decorar

Rápido e simples e não vai ao forno hora nenhuma. Achei difícil dar certo, mas deu. Pra quem não sabe o que é tapioca seca (eu não sabia, apesar de saber o que é tapioca e ter comido tapioca seca a infância inteira, nunca dei um nome diferente de tapioca a ela rsrs) vou por uma foto:

tapioca seca ( comia ela molhando no café)

Como uso açúcar demerara e não sabia se ele dissolveria na mistura líquida e não estava a fim de ver as bolotas de açúcar no bolo, troquei as colheres de açúcar por meu, não vi diferença, afinal, pus muito leite condensado que já é doce.

Como não sabia se ia funcionar, comprei um pacote pequeno de tapioca, cerca d 200/300 g eu acho, e o leite de coco usei uma garrafinha de 200 ml ao invés de 500ml. Logo substituir o leite comum pela mesma medida do leite de coco e pus menos de uma lata de leite condensado (pouco mais de meia caixa). Ficou legal, só acho que no final pegaria um pouco mais de mistura líquida que acabou, ai dei uma apertadinha com a colher na massa pra molhar melhor os cantos. Pus na geladeira e o resultado logo após desenformar é o seguinte:

já dava para comer assim, mas como a receita diz p decorar com coco ralado e leite condensado fiz isso, Pus metade só o coco e a outra metade o coco e o leite. Eu prefiro com os dois, mas quem achar que já ta muito doce pode por só o coco (ou nada para decorar).

Depois disso, é só aproveitar. Sugiro não demorar muito para consumir, pois como nada vai ao fogo, algo pode estragar (coco estraga muito fácil, mesmo guardando o bolo na geladeira não sei quantos dias dura, quem me passou a receita não me disse, se descobrir volto para contar). Bom apetite

Mulheres que correm com os lobos (parte 2)

Como se toma uma decisão dessas? sabe-se, simplesmente. La Que Sabé sabe. Peça conselhos a ela. Ela é a Mãe dos tempos. nada a surpreende. Ela já viu tudo. para a maioria das mulheres, deixar morrer não é contra sua natureza, é contra sua criação. Isso pode ser modificado. todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.
Pela luz da caveira incandescente, nós sabemos.

Assim como o trecho que coloquei no post Significados diferentes de uma mesma frase, essa parte do livro me chamou atenção. A princípio pensei em apenas destacá-la como imagem no início de um post, mas depois resolvi falar um pouco mais dela, o que significou para mim. O trecho foi retirado do capítulo que conta o conto: A boneca no bolso: Vasalisa, a sabida. Essa história, assim como todos as outras que o livro contou até agora, eu não conhecia. Mas em muito me lembrou a história da Cinderela, apesar de não haver príncipes nem baile.

Basicamente, a mãe de Vasalisa morre logo no início da história, antes de falecer, ela lhe dá uma boneca. Seu pai, um homem bom, casa-se com uma mulher que tem duas filhas e não percebe que elas maltratam Vasalisa, a fazendo de empregada. Um dia, para se livrarem da menina, a mandam buscar fogo na floresta, com a velha Baba Yaga. Ela vai e sua boneca a guia até a casa e se submete as tarefas que Baba lhe ordena, sempre com a ajuda da sua boneca, por fim, consegue o fogo que foi buscar e ao voltar para casa, esse fogo que Yaga lhe deu, consome a madrasta e suas filhas, que morrem.

A autora então explica as fases pelas quais Vasalisa teve de passar, o que ela aprendeu, descobriu, a cada etapa superada. Explica a morte da mãe boa demais e o fortalecimento de sua natureza selvagem. E o capítulo se encerra com o trecho que selecionei.

A boneca de Vasalisa, representa nossa intuição, todas a temos, algumas a seguem, outras não. Algumas se esquecem de ouvir sua voz, mas há sempre como desenvolve-la, escutá-la. Basta se permitir. E foi sobre isso que a frase me fez refletir sobre acontecimentos que lá no fundo eu sentia e não queria admitir. Quantas vezes eu sofri, por não querer deixar algo partir, mesmo com uma parte de mim me dizendo que já era a hora. Quantas vezes me senti egoísta por querer manter alguém comigo, quando no fundo eu a via sofrendo e me senti culpada por desejar que fosse feito o melhor para ela, mesmo no fundo percebendo que naquele momento era a hora de partir e eu não queria deixar ir. Quando penso nessas horas, entendo o significado de que deixar morrer não é contra sua natureza, é contra sua criação.

Não somos criados para deixar morrer, lutamos para preservar a vida, a todo custo. A nossa vida, a de quem amamos. Com isso, por vezes nos esquecemos de que nem sempre temos o poder de decisão. Nem sempre o melhor para mim significa o melhor para o outro. E nessas horas, talvez, seja mesmo a hora de deixar partir. Por mais doloroso que seja para quem fica, talvez até para quem quem, afinal, se não sabemos deixar morrer não tenho certeza se sabemos lidar com a nossa própria morte. Talvez seja doloroso imaginar o sofrimento que causaremos. Ou será que nessa hora já estaremos num estágio em que entenderemos o sentido da natureza e estaremos preparados para completar o ciclo de vida-morte-vida? Isso eu não sei, ainda tenho muito a aprender.

E da mesma forma que temos medo de encarar a morte, também temos medo de encarar a vida, a nossa e a dos outros. Medo de não dar conta, de não conseguir. Medo de falhar, de cair, de não suportar ou não saber como agir. Medo do desconhecido, pois assim como toda morte, toda nova vida é desconhecida. Não há como saber vai ser. É um mundo novo, completo e desconhecido, que só poderá ser trilhado a cada passo. Mas, quando é a hora de dar o primeiro passo? Como saber o momento exato de iniciar? Difícil saber, talvez impossível se não acreditarmos em nós mesmos, em nossa voz interior, em nossa intuição, no nome que desejar dar a essa força que você não consegue explicar, só sente, porque todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte.

Por vezes, até ouvimos essa voz, sabemos que ela está ali, nos guiando, mas duvidamos dela, nos fazemos acreditar que estamos errados, porque temos medo de encarar a realidade que ouvimos dentro de nos, queremos fugir, ou mudar o que não se muda, porque aquilo nos assusta, nos apavora, mas não adianta. Como diz o provérbio chinês: às vezes encontramos nosso destino no caminho que tomamos para evitá-lo. Por mais que a gente fuja, finja que aquilo não é real, ou não tem como acontecer, no fundo da alma nossa voz sabe o que está dizendo. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.

Pela luz da caveira incandescente, nós sabemos.

Mulheres que correm com os Lobos (parte 1)

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem (parte 1)

Entre minhas metas de final de ano estava:
“comprar e LER mais livros de autoconhecimento feminino – um novo sempre que acaba um antigo” acabei acrescentando “ou sempre que achar interessante algum ” após ouvir falar (na verdade ler) sobre este livro. Em minha busca por auto conhecimento, auto aceitação, auto estima ou seja lá o nome que se dê no fundo ao que esteja procurando acabei chegando a um blog que falava sobre a Mulher Selvagem, o Sagrado Feminino ( não lembro agora o blog em si, mas retorno aqui se lembrar) e nele falava sobre o livro Mulheres que correm com os Lobos, achei interessante. Pelo que entendi, falaria sobre características femininas que se assemelham a dos lobos, sobre contos de fadas, interpretando-os. Logo depois, vendo postagens que sempre chegavam a minha caixa de email e eu nunca acompanhava no site da pantys, novamente encontro referência a este livro. Coincidência? Não existem coincidências (Não sei se a frase é de alguém especificamente, mas ouvi em Kung Fu Panda, apesar de ser filme infantil, acredito que traga algum significado real).

Ainda estava lendo o Ouse Crescer, mas senti a necessidade de comprar este livro logo, não esperar o fim da leitura do anterior. Comprei e comecei a ler assim que acabei o outro. Pretendia trazer um resumo, que nem fiz com os dois anteriores, mas cheguei a conclusão que seria difícil fazer isso, é um livro denso e profundo, são mais de 500 páginas que precisam ser lidas com calma, para assimilar todo seu esplendor, talvez nem seja possível absorver tanto assim numa primeira leitura, talvez outras sejam necessárias, ele vai além do que eu havia imaginado que seria. Não é só uma história comparando mulheres e lobos, não são textos falando dos contos de fadas pra mim conhecidos contados de forma diferente, com alguma explicação. São textos intensos, não trata-se de uma linguagem rebuscada, mas ao mesmo tempo é uma linguagem carregada, de significados, de ideias. Não consigo ler muito de uma vez, preciso ler com calma, absorvendo, me alimentando das palavras, frases.

Enquanto leio, tenho uma sensação curiosa, na maioria das vezes é como se pudesse sentir uma força correndo, como um animal, ou uma pessoa livre, pelas montanhas, pela natureza, com o vento percorrendo o corpo, como ondas que minhas mãos algumas vezes chegam a desenhar pelo ar. Pode parecer loucura, ou imaginação, mas essa é a melhor maneira que encontrei de descrever a sensação. E a leitura que de início parecia bem difícil de entender, vai ficando mais familiar, como se eu fosse me adaptando a linguagem, ou ela fosse ganhando mais sentido.

Às vezes, não consigo fazer ligação da história com a minha vida, com meus pensamentos, com situações que me exemplifiquem o que ela quer dizer. Outras horas, faz sentido, faz tanto sentido que eu consigo enxergar a Aurora e a Melissa (em outro momento explico mais sobre elas) e ao mesmo tempo que as enxergo não consigo definir quem é quem. Por vezes vejo traços da censora e da mentora interior, que a Tara falava em seu livro.

Por tudo isso, por toda a complexidade e importância da leitura deste livro, não tem como eu resumir sua história sem privá-los de muito do conhecimento que pode ser adquirido ao sentir o texto inteiro.É preciso ler, apreciar, se deixar envolver, para conseguir captar a real essencia, em todos os sentidos. O que tentarei fazer é resumir para apenas dar-lhes a noção do texto, lembrando-os que a sua leitura é imprescindível. Como ainda estou lendo, e mesmo que tivesse terminado falar tudo junto seria muita coisa de uma só vez, irei compartilhando aqui aos poucos sobre os capítulos, deixando link aqui para os demais posts que for acrescentando com os resumos, a medida que for fazendo. Boa leitura.

Mulheres que correm com os Lobos (parte 2)