2020

Que ano.

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Sou tão tranquilo e tão contente Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava provar nada pra ninguém Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira
Mas não sou mais
‘Tão criança oh oh
A ponto de saber tudo

Quase sem querer -Legiao urbana

Ontem acordei melancólica, ou tera sido triste? Desiludida? Pensativa? Não sei. Desde o natal me encontro em um estado que não sei definir. Mas com certeza não é o meu estado natural, afinal, pra eu ter posto música pra tomar enquanto preparava o café da manhã é porque algo não está normal. Mas não sei o que.

2020 foi um ano atípico, que nunca imaginei viver. Uma pandemia e um puerpério juntos. Não fui o tipo de grávida que se sentia linda com a barriga, belos cabelos ao vento. Quanto mais me afasto desse período, mais percebo o quão horrível me sentia.

O que não significa que era tudo ruim, uma única coisa se salvava, meu bebê, adorava sentir ele dentro de mim ( apesar de muitas vezes me soar estranho como poderia haver alguém dentro de mim, mas enfim)

Meu puerpério foi horrível, do parto, aos problemas de amamentação, nada ajudou. Sorte minha mãe ter ficado aqui mais de três meses, não sei se teria dado conta. Eu me sentia mal. No início havia uma dor física, eu nem aguentava deitar na cama, mas passou. O que pessou mesmo foi a dor na alma.

Foi um turbilhão, o choro era minha companhia, junto com a culpa, tristeza. E novamente a única coisa boa era o bebê, era por ele que eu seguia.

Com o tempo as coisas melhoraram, mas não chegou a 100%. Ainda não me sinto psicologicamente bem, muita coisa saiu do lugar, mas certamente estou melhor do que comecei o ano 2020.

Algumas coisas que eu gostava resgatei, pouco na imensidão que me perdi, mas é um começo ( comprei umas regatas e uma sandália de salto fino – mesmo não sendo do modelo que o namorado gosta).

É, foi um ano atípico. Não quero ser clichê dizendo que foi de aprendizado, acho que todos os anos são assim. Mas foi um ano diferente, com certeza.

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