32 anos

Eu não queria comemorar. De início, até pensei em fazer uma festa com a familia, depois desisti. Desanimei. Falei que não queria ninguém aqui, só nós três. Nem presente escolho, ao contrário falei que não precisava e foi de coração.

Na véspera a sogra ligou, achou que ia ser surpresa. Insisti que não queria, ele tentou me convencer a chamar minha família. Não quis, falei pra dizer a dele p vim só a joite. Acabou que no outro dia cedi, ele parecia determinado na ideia. Marcamos pro dia seguinte, só a família. E no dia foi como eu queria, nós três, na paz, não cozinhei. Comemos o que sobrou do jantar anterior, salgadinhos, pirao de camarao do delivery, bolo e assim foi.

Dia seguinte todo mundo aqui. Começou com estresse, mas no final gostei, foi bom dividir o momento em família.

O que acha?

Passou batido. Se não fosse por essas idas e vindas que as coisas passam na minha cabeça, eu não iria perceber. Poderia achar que era só uma cisma besta, sem saber o porque. Mas acho que entendi.

Quando me contou do convite, diferente do que pensaria em outra época, eu achei uma boa ideia. Afinal, seria a chance de um emprego. Teriamos pontos a resolver, afinal preciso de ajuda aqui. Mas como você diz, quem quer dá um jeito. Tentei saber o que achava da ideia, saber detalhes.

Imaginei que seu sono podia ser a mente pensando nisso, precisando focar. Até que no banho do bebê perguntou se eu conseguiria quem viesse me ajudar, pois estava pensando na possibilidade de aceitar.

Então, quando disse que ia perguntr o que uma terceira pessoa achava, eu na hora me incomodei, mas porque? Não entendi. Ciúme? Talvez. Deixei passar… ou não, antes de deitar percebi.

Me incomodei com o fato de não ter sido diretamente perguntada sobre o que eu achava. Não houve uma construção conjunta de decisão. Mas para outros era um o que a pessoa acha?

Não importa o motivo de querer saber o que ela acha, importa que importa o q ela acha, mas e o que eu acho? Queria ter sido questionada diretamente, afinal, é a gente que isso afeta.

Desabei

Não tem sido dias fáceis. Meu bebê fará amanhã quinze dias que não está bem. Começou com corpo quente, enjoado, depois surgiram pontos vermeljos. A dermatologista disse que era um exantema viral. Isso coçando, sem dormir direito. Enfim. O cansaço bateu. Desde quinta passada venho sentindo o peso. Para completar a menstruação atrasada. Fiz um teste na sexta deu negativo. No domingo a menstruação veio. Na segunda eu estava sem ânimo, falei várias vezes que queria só ficar um tempo sozinha. Não tive como. Na terça levamos o bebê no médico, na quarta eu desabei a chorar, cansada da minha vida e das minhas escolhas.

Chorei sozinha, abraçada ao travesseiro. Não fui acolhida, não tive apoio. Ao inves disso, o pai do bebê reclamou da forma como fiz isso, porque quando o bebê acordou do cochilo, deixei com ele, fui ao banheiro e de lá pro quarto, fechei a porta para chorar. Ele disse que minha atitude ” foi de uma adolescente emo de 11, 13 anos, atitude babaca”.

Ontem, eu comecei a chorar no meio do tapete, enquanto estava com o bebê acordado. O pai chegou e falei que eu estava cansada. Não tinha sido uma boa noite de sono. Não tive retorno da minha fala, saí chorando do quarto, preparei o almoço em meio as lágrimas, eu xingava, chorava, me culpava por estar aqui. De novo sozinha. Desabafei com minha amiga sobre minha crise de choro. Mesmo sem ter muito o que fazer, ela tentou ajudar a distância. Abri um leite condensado e comecei a tomar puro, foi ai que fui melhorando. Depois, chupei um picolé. Mais leite condensado. Hoje acordei melhor.

É, não está fácil. Preciso de ajuda. E muita

Lições de um bolo

Mês passado meu bebê fez 1 ano. Sim, já passaram 12 meses dele aqui nesse mundo🥰

Todos os meses fizemos os mesversários, criei uma pasta no pinterest com os temas, tinha sugestões que davam pra muito mais festas. Logo cedo comecei a pensar no aniversário de 1 ano. Cheguei a midar de tema, até me decidir. Encomendei a vela no início do ano, feita em biscuit.

Haviamos combinado de encomendar o bolo. Minha mãe, toda empolgada, falou que havia comprado uma forma para fazer o bolo de 1 aninho do neto. Junto a isso a pandemia cancelou os planos da grande festa. Acabamos optando por deixar ela fazer o bolo.

Seria simples, dois andares, pasta americana. Uma cor única, e um peqieno enfeite colorido ao redor. Algumas pitangas ( não sei como você chama, quando usa bico de confeiteiro para decorar, conheço como pitanga). Só isso. A vela era o charme.

Fui conprar a pasta, havia colorida nas cores que eu queria, mas minha mae disse que não, que trouxesse branca que tingir seria melhor. Ok.

O resultado foi um desastre. Começou o bolo na noite da antevéspera e mesmo assim deu a hora e não estava pronto. Pra piorar, a massa não atingia a cor necessária, o bolo começou a cair, a pasta abriu um buraco. Horrível. Detestei. Odiei. Até hoje sigo inconformada. Teria cancelado tudo. Chorei horrores. Mesmo assim, a festa saiu.

Não usamos a vela encomendada no bolo, ela ficou de decoração da mesa.

O que aprendi com isso? Primeiro, nunca mais deixar minha mãe fazer o bolo.

Eu sei que ela não fez por mal, que isso nunca havia acontecido, afinal ela sempre fez os nossos. Mas o 1 ano era uma data especial, principalmente para mim. Um marco e o bolo ela estragou. Não importa o motivo. Estragou. Posso até ter entendido que deviamos comemorar a data, mas nunca sairá da minha memória que eu devia ter encomendado do jeito que queria. As fotos do parabéns terão aquele bolo feio para sempre. Culpa minha também. Para não repetir o erro, jamais pedir novamente a ela o bolo.

Segunda lição, não querer economizar sempre. Por um lado deixei ela fazer por estar empolgada pra fazer pro neto, por outro, porque acho um absurdo o preço que cobram em um mínimo de bolo. No fim das contas gastei muito e não prestou.

Já comecei a aplicar essa lição na vida. Comprei um pijama de amamentação para as noites frias. Fiquei na dúvida, se poderia adaptar alguma roupa que já tinha. Ai lembrei do bolo, resolvi investir, valeu a pena.

Sobre expectativas não superadas

Muita coisa mudou após a gravidez. Meu mundo virou de cabeça pra baixo e ainda não me recompus. Certezas foram quebradas, sonhos destruídos, expectativas, acreditei eu, superadas. Mas a uns nove dias, foi um daqueles dias, que um momento pode virar tudo e nos mostrar o quanto estamos erradas.

Era uma noite comum, ou quase dentro da rotina, a exceção era ter mainha em casa. Tendo ela para me ajudar com o bebê, meu namorado resolveu fazer seu “percursão de bicicleta” (ele sai pedalando de casa até a orla e volta). Até ai, ok. Pegou uma mochila e pos nas costas eu estranhei, ele mal leva a chave de casa, questionei e me disse que ia ver se comprava fruta pro bebê. Um sábado, mais de 18 horas, quando voltasse onde acharia fruta? Mas tá, tudo bem ( eu havia saido pela manhã pra comprar mais onde compramos estava cheio e o outro lugar não tinha nada bom).

O bebê comeu e foi dormir mais cedo, ainda estava no meu peito mamando quando meu celular tocou, minha cunhada. Estranho. Ela nunca me liga. Talvez quizesse falar com o irmão e como ele saiu, o celular ficou e ela sem conseguir me ligou, atendi, mesmo pensando que podia acordar o bebê. Ela veio com uma conversa estranha, de que ele tinha ligado pra ela, do celular do porteiro do prédio da mãe e pedido pra eu ir buscar ele, no mínimo estranho, mas respondi que iria lá.

Foi ai que me dei conta de não ter superado minhas expectativas.

Na noite anterior havia tido uma conversa rápida com ele sobre como faremos quando eu voltar a tarbalhar presencialmente, sobre a mudança de apartamento e sobre divisão de quartos. Uma vez ele já tinha mencioando por cima, talvez de brincadeira, talvez não, mas eu gostei da ideia e cada vez mais amadureci na minha mente isso. Falei então que, no novo apartamento, um quarto seria dele, um meu (que durmo com o bebê) e outro do bebê para brincar, já que provavelmente vamos para um menor e não tem espaço de brincar no meu novo futuro suposto quarto. Falei pra ele amadurecer a ideia, ai ele soltou: “então vamos oficializar a separação de corpos?”, soou engraçado. Não lembro a última vez que dormimos no mesmo quarto, sei que foi logo após o bebê nascer. Depois, passei a fazer cama compartilhada e ele passou a dormir na sala, mesmo tendo comprado uma cama de solteiro pro quarto que era nosso. Ele já disse várias vezes que não sente desejo ( assunto para outro post a minha condição física atual), eu também não ando empolgada ( gravidez e pos parto tiraram toda a minha libido), então trÊs vezes após o parto foi o máximo que conseguimos.

Com esse cenário, além de todos os problemas que temos fora isso, a relação em crise, não parece o melhor cenário. Logo, como podemos ‘oficializar’ algo que já acontece? Respondi que isso não seria nada demais, afinal, o que seria o quarto do casal não anda servindo pra nada mesmo, pois durmo com o bebê, já um quarto sendo dele, quem sabe um dia poderiamos voltar a usar. Além disso, ele mesmo não é adepto de convenções, afinal, eu não tenho um anel no dedo simbolizando compromisso. Nunca me pediu em namoro ou casamento. Fora todo o resto que já conversamos e nãos eria necessário retornar que ele lembrava, falei sobre essas coisas com ele e levei a conversa descontraida ( não sei como ele recebeu isso).

Pegando essa conversa anterior, e o fato dele ter saído de mochila tão tarde (onde acharia fruta num fim de semana de pandemia a noite?), Comecei a sonhar, será? Será que ele ia fazer uma surpresa pra mim? Me pedir em casamento? Me dar um anel? Deveria me arrumar pra ir? Se tivesse fotos eu queria sair bem. Meu coração palpitou, falei com mainha que precisava sair para buscá-lo, falei da história desencontrada, ela achou que era trote, eu estava empolgada demais mas não contei a ela o que pensei. Deixei o bebe com ela e antes de sair nova ligação, cunhada pra explicar o pneu da bicicleta furou, ela tava lá me esperando pra traze-lo pra casa. Que banho de gelo.

Sai triste comigo mesma, por ter me iludido. No fundo, eu ainda tinha uma pontinja de esperança que podia see mas não, não era, e eu na verdade sabia. Por isso chorei no caminho de ida, me calei na volta, me enterrando em meus pensamentos.

Achei que eu já tinha superado essa fase, essa esperança de um pedido. Mas não, ele ainda está aqui, vivo, me fazendo sofrer por não ter.

É, as coisas não estão bem. E não vejo expectativa de melhorar.

Que mundo vou deixar pra meu filho?

Não cresci querendo ser mãe, a vontade veio depois. Mesmo assim, sentia medo. E nem sabia o que estava por vim. Engravidei antes da pandemia, mas ainda assim me sinto de certa forma culpada. Por te trazer nessa hora incerta, onde não se sabe o dia de amanhã.

Tenho medo por você, por mim, por toda nossa família. Medo de como será daqui pra frente, com essa doença que parece que não acaba.

Nunca imaginei a vida assim, uma pandemia, toque de recolher, risco de lockdown. Sem poder ver pessoas, sem poder sair de casa tranquilo, medo constante de encontrar alguém, de adoecer.

Espero que tudo passe logo, e que passe bem, para todos. Que esse tempo sombrio fique pra tras e você possa crescer num mundo mais saudável e feliz.

A imagem do espelho

Tem dias que acordo mais desanimada, triste, hoje foi um dia assim. Não que seja novidade nos ultimos tempos, mas foi sem motivo aparente. Pensei que possa ter sido pela noite mal dormida ou pelos fantasmas da história do menino que contei no texto anterior, não sei.

Mas fato é que acordei contra minha vontade, queria ficar sozinha, deixar o bebê com o pai e chorar. Não fiz isso, apesar de algumas lágrimas terem rolado antes de levantar da cama. Logo depois do café, uma brincadeira no aplicativo do meu namorado me fez reforçar a tristeza.

Não sei o nome do aplicativo, mas você tira uma foto e ele edita e vira video com uma música cantando. Ele insistiu e fiz, o resultado ficou horrível, meu rosto, parecia um monstro. O dele só ficou com a cabeça menor e o do bebê ficou estranho por ter parecido que virou menina, mas o meu foi uma desgraça.

E isso me tras aqui, pra escrever da minja imagem no espelho, não tenho certeza se já falei aqui, mas evito encarar o espelho pra realmente me enxergar, eu olho, pra escovar os dentes, ajeitar o cabelo, enquanto lavo a mão, mas não encaro, não olho nos olhos, não me reconheço ali.

Ultimamente está pior, não lembro o mês que fiz a sobrancelha, o cabelo mal vê uma hidratação, quando raramente vê. Perdi 10cm de quadril, logo do quadril que sempre me orgulhei, que era a única parte do corpo que eu sempre olhei e gostei, de verdade. Minhas pernas antes grossas, viraram cambitos, os braços foram pelo mesmo caminho. A cara seca.

E é assim que me vejo, sem a pouca auto estima que um dia cheguei a ter, sem pespectiva, sem esperança, sobrevivendo aos dias unicamente pelo bebê, pois nada mais me tras alegria.

O menino que não consegui ajudar

Ultimamente, tenho descido todo fim de tarde para andar pelo condomínio. Um ano de pandemia e desde que nasceu ele vivia em casa. Sei, não é o momento, mas tenho feito isso pela sanidade mental minha e pra ele ver algo além dessas quatro paredes ( o sorisso no rosto dele quando percebe que vamos sair de casa é incrível). Ando um pouco, sento em algum banco isolado, ele vê os carros passando, ou as crianças brincando, gente andando, depois subimos, evitando contato com as pessoas.

Hoje era mais uma tarde dessa, com pouco movimento, sentei em um banco diferente para ficar longe de um cara que mexia no carro. Estávamos lá, eu vi que vinha um menino em sua bicicleta, um senhor e uma mulher. Normal. Me distraí enquanto esperava a criança passar pro bebê vê. De repente só escuto o “não, não, não “, olho pro lado e tem um cachorro subindo no menino. Gelei. Ele começou a chorar, a mulher que vinha chegou dizendo que ele só queria brincar, pegou a coleira pra por no cachorro.

Enquanto isso, me levantei do banco e saí apressada, com medo do cachorro correr, entrei enyte os carros do estacionamento e de longe vi o menino chorar e outras pessoas chegarem paea ajudar, perguntar se queria que levassem ele pra casa se estava machucado, enquanto a mulher do cachorro pedia desculpa.

Minha vontade era acolher o menino e abraçar, xingar aquela mulher de irresponsável, doida e outros adjetivos que não pretendo escrever aqui. Mas virei e fui andando rápido pra casa, com o bebê sendo segurado forte no meu colo, sem saber o que ocorria. Chegando em casa chorei.

Tem estado na “moda” falar em gatilhos psicológicos, algo que te az lembrar um trauma passado. Talvez por isso, ao ver a cena que descrevi, me veio a mene que aquilo era um gatilho pra mim, por isso me comportei assim.

Quando eu era criança, uns 10 anos, um cachorro correu atrás de mim, cheguei na casa da professora de reforço escolar chorando, depois disso nunca mais fui ou voltei sozinha de lá. Até hoje tenho medo de cachorro, não gosto que cheguem perto de mim, nem mesmo o de minha cunhada, velho, cego e doente, que nem latir consegue.

Me senti incapaz de ajudar o menino, ao mesmo tempo que queria acolhe-lo. Quus afrontar a mulher por ser tão estúpida, tive medo do cachorro vim atacar meu bebê. Me senti uma criança enquanto corria pra proteger meu filho. Contraditório, como muita coisa em minha vida.

Contei a história ao chegar em casa, com as lágrimas escorrendo, coração acelerado e remosso de ter fugido sem ajudar o menino. Lembro que ao descrever a cena falei:” chegaram uns adultos pra ajudar”, só depois me dei conta que eu também sou um adulto. Pode ser uma frase simples, mas acredito que tenha significado mais profundo, relacionado de alguma forma com como me senti, indefesa, com medo.

Ao menino que não consegui ajudar, sinto muito. Minha consciência ficou pesada. Espero que você fique bem.

O marketing e a maternidade

O marketing está a nossa volta, em toda parte. Estejamos conscientes ou não disso, é um fato. Mas tenho ficado enojada com como as pessoas usam dessa ferramenta pra atingir um público alvo tão fragilizado, que é o das recém mamães.

Após o turbilhão da gravidez, do parto ( nem sempre como desejado) da transformação da vida, de seu papel como mulher, como mãe, das dores da maternidade, dificuldade de amamentação, desequilíbrio hormonal, dentre outras coisas, muitas aabam caindo como um patinho nas estratégias de marketing mais diversas, que prometem milagres, que mexem com o emocional, que as sobrecarregam de culpa ( uma culpa que já “nasce” ao se tornarem mães ).

Algumas já são velhas conhecidas, nos deparamos até mesmo na gestação, coisas como bico, mamadeira, e 1001 utensílios que, segundo a mídia, são essenciais ( só que não), que irão facilitar nossas vidas ( e atrapalhar a dos bebês, causando confusão de bico, prejudicando amamentação,…). Outras, nos pegam de surpresa, em todo caso, quando vemos, já caimos. E nos sentimos mal de termos nos deixado acontecer.

Tenho dois casos específicos para contar, devo ter caído em outros, que de tão enraizados na cultura nem percebi. Esses dois porém ilustram bem o que estou falando.

Já contei que rive dificuldade no início da amamentação, assim como contei da minha dificuldade de comer bem, saudável. E foi nesses pontos que eles me pegaram.

Desde a gravidez comecei a seguir diversos perfis de obstetras, pediatras, odontopediatras, nutricionistas e por ai vai. Um perfil em específico era uma pediatra muito boa, sim aprendi muito lá, o que não tira o fato de considerar a estratégia de marketing por ela usada por ela desleal, explico. Logo no início, poucos meses do bebê, ela lançou um curso de introdução alimentar, após uma semana de lives gratuitas. De acordo com ela, seria uma oportunidade única, não seria prorrogado e não haveria uma segunda vez.

Eu, preocupada com a futura alimentação do bebê e na possibilidade de perder a chance, comprei o curso , mesmo sabendo que seria dificil acompanhar as lives e todo o material no único mês em que ele estaria disponível, porque sim, a gente comprava e o acesso era só 1 mês. Arrisquei pra não perder a chance. Logo a primeira decepção. Acabaram as inscrições e ela reabriu. Como imaginado, não conseguir acessar todo o material ( era ainda aquele período mais conturbado que passei ). Alguns meses depois outra decepção, ela reabriu as inscrições, dessa vez com um curso mais completo e por um tempo de acesso maior 😔, eu poderia acessar de novo, se novamente pagasse por isso ( ela ofereceu um deconto a quem era da primeira turma, mesmo assim era caro). Fiquei tão chateada. Não por ela vender 1, 2, 10x que queira o curso, mas pelo discurso de que aquela vez era a única, que não prorrogaria nem abriria de novo. Sei que ela precisa lucrar, mas lucrar as custas de pessoas tão fragilizadas, me parece desleal.

Entendo que essa é a estratégia que varios setores usam, mas pelo momento que estava vivendo, achei que pesou demais pra mim. Resultado, mal consigo olhar as ponstagens dela atualmente. Ainda sigo por ter muito conteúdo bom, mas quando ela começa com discursos nesse sentido me sinto mal e pulo.

O outro ponto foi uma empresa que garante a possibilidade de você eternizar a amamentação com uma jóia. Me encantou, eternizar o momemto pelo qual tanto lutei. O produto era caro pra mim naquele tempo, mas surgiu uma promoção e uma amiga se dispôs a me dar uma parte do valor de presente de aniversário, aceitei e comprei.

Antes mesmo de fazer, já senti o baque. A promoção que aproveitei, virou rotina, todo mês tem, o que muda é o brinde, os % de desconto são os mesmos, o fretw grátis, mas hora vem um estojo, hora um espelho, uma bolsa… enfim. Me senti enganada, eu poderia ter esperado para comprar depois.

Pior não foi só isso, mas o fato de a jóia ter dado errado, entrei em contato com a loja, quiseram me culpar, expliquei que segui tudo que mandaram no manual e a resposta foi que me mandariam um kit novo mas eu devia pagar o frete pois tinha sido algo que fiz errado. Uma explicação sem lógica pra mim. Bati o pé que não achava justo, segui o que eles mandavam fazer e se havia alguma coisa extra a ser feita eles tinham de ter deixado claro.

Acabaram mandando o kit sem cobrar o frete , mesmo assim um item veio com um pequeno defeito, tentei ajeitar, refiz a jóia. O resultado foi melhor, mas nao ficou 100% como esperado.

E não dá pra dizer que foi só erro meu a mesma amiga que me deu de presente comprou pra ela e o resultado foi igual. Pior, o molde dela se esfarelou antes dela repetir a jóia, está esperando o meu molde pra tentar refazer.

E assim, a indústria vai lucrando em cima dos mais fracos, triste, mas é a realidade.

Antes de saber mamãe já te amava

Não sei se já contei como descobri a gravidez. Se já contei vou relembrar. Eu não estava planejando, apesar de já ter pensado no assunto. Era mais um mês normal esperando a menstruação vim ( estava sem anticoncepcional desde o início do ano, mas estava vindo qiase sempre no mesmo período). No domingo que deveria vim não veio. Estranho, mas ok. Na segunda nada, a luzinja de alerta acendeu. Mas não fiz como das outras vezes que eu rezava para ela vim. Na verdade rezei para não vim e comecei a conversar com a barriga rsrs. Não sei explicar, mas eu queria que fosse um bebê aquele atraso.

Esperei mais um dia e nada, comprei o teste na farmácia, 2 pra ser exata um bem simples e outro mais caro. Fiz o primeiro, não demorou e os risquinhos apareceram. Foi um misto de sensações. Não consegui dormir de noite, ansiosa, resolvi fazer o segundo com o primekro xixi da manhã seguinte. Madrugada mesmo eu fiz, mais de três semanas, o teste acusou. Chorei, alegria e medo. Eu queria, não estava preparada. Fui fazer o beta Hcg ( exame de sangue), positivo também.

E desde então sigo assim, com você comigo, amor da minha vida❤

2020

Que ano.

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Sou tão tranquilo e tão contente Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava provar nada pra ninguém Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira
Mas não sou mais
‘Tão criança oh oh
A ponto de saber tudo

Quase sem querer -Legiao urbana

Ontem acordei melancólica, ou tera sido triste? Desiludida? Pensativa? Não sei. Desde o natal me encontro em um estado que não sei definir. Mas com certeza não é o meu estado natural, afinal, pra eu ter posto música pra tomar enquanto preparava o café da manhã é porque algo não está normal. Mas não sei o que.

2020 foi um ano atípico, que nunca imaginei viver. Uma pandemia e um puerpério juntos. Não fui o tipo de grávida que se sentia linda com a barriga, belos cabelos ao vento. Quanto mais me afasto desse período, mais percebo o quão horrível me sentia.

O que não significa que era tudo ruim, uma única coisa se salvava, meu bebê, adorava sentir ele dentro de mim ( apesar de muitas vezes me soar estranho como poderia haver alguém dentro de mim, mas enfim)

Meu puerpério foi horrível, do parto, aos problemas de amamentação, nada ajudou. Sorte minha mãe ter ficado aqui mais de três meses, não sei se teria dado conta. Eu me sentia mal. No início havia uma dor física, eu nem aguentava deitar na cama, mas passou. O que pessou mesmo foi a dor na alma.

Foi um turbilhão, o choro era minha companhia, junto com a culpa, tristeza. E novamente a única coisa boa era o bebê, era por ele que eu seguia.

Com o tempo as coisas melhoraram, mas não chegou a 100%. Ainda não me sinto psicologicamente bem, muita coisa saiu do lugar, mas certamente estou melhor do que comecei o ano 2020.

Algumas coisas que eu gostava resgatei, pouco na imensidão que me perdi, mas é um começo ( comprei umas regatas e uma sandália de salto fino – mesmo não sendo do modelo que o namorado gosta).

É, foi um ano atípico. Não quero ser clichê dizendo que foi de aprendizado, acho que todos os anos são assim. Mas foi um ano diferente, com certeza.

Natal, com ou sem papai Noel?

Já faz uns dias que reflito sobre o tema. Tudo começou com uma promoção no Instagram. Quem me segue a mais tempo sabe que eu amo promoções, de frango a produto de beleza, seja abaixo do preço ou grátis. Pois bem, um perfil qie sigo prometeu alguns vales para as seguidoras mais engajadas durante deerminado período de tempo eu não entendi o que era o brinde, mas era de natal, resolvi participar, comecei a curtir e comentar tudo, ganhei o cupom, só ai descobri para que era: um site que tem vídeos do papai koel, onde ele fala o nome da criança e tal. Tem algumas opções de videos diferentes, só assisti 2, confesso, porque eles seguiam a mesma linha e eu não tive paciência para assistir mais.

E qual o problema dos vídeos? Bom um era chatinho, o outro até era mais legal, o problema estava quando chegava o papai noel para falar da criança ( não vou nem comentar sobre a qualidade do video ou como inserem o nome das crianças de forma meio artificial no meio do textl, porque em partes entendo que aquele é um modelo padrão e eles só alteram para caa criança). Nos dois vídeos que assisti, o papai noel condicionada o presente a criança se comportar durante o ano, em um os duendes davam o veredito, no outro, aparecia numa lista. O fato é que foi daí que me veio o primeiro incômodo: esse condicionamento, comecei a pensar se era essa mensagem que eu queria passar pro meu bebê ( ele tem 7m, mas o video ele podera ver quando estiver maior ), resultado, até hoje não resgatei o cupom e tenho dúvidas se o farei.

Para completar, esses dias vários perfis que sigo começaram a falar sobre essa questão de como passamos para a criança a imagem do papai Noel. Dai, chegamos a outro ponto que nunca havia pensado: a mentira. Se digo a meu filho que papai Noel existe, estou mentindo. E quem mente uma vez que seja, perde a confiança. Você pode achar besteira, mas pra mim faz sentido, se não quero que meu filho ache normal mentir, como passar anos mentindo para ele ( eu era uma criança de interior bem tola, acreditava no papai noel, acho que até uns 13 anos ( ou mais) eu ainda tinha dúvidas se ele exitia ou se era minha familia que colocava os presentes na árvore. O natal sempre foi uma época especial paa mim, a manha quando acordava e ia até a árvore abrir presentes era minha parte favorita, mas confesso que perdeu um pouco a graça a partir do momento que o papai Noel deixou de existir, simplesmente como se “por ter crescido você já sabe que não tem e acabou”. Ainda gosto do período natalino, é minha comemoração favorita, fico ansiosa paa decorar a árvore, mas o encanto dos presentes acabou.

Foi então que vi uns stories e um post da Mari no Instagram ( procure: umamaepediatra) onde ela falava que não dizia que tinha papai Noel, mas também não dizia que não, deixava livre a imaginação do filho, falando coisas como “nunca vi, mas ouvi dizer…”. Assim a criança usa a imaginação com o resto. Não precisamos ” cancelar o papai Noel”, basta ressignificar. Isso fez muito sentido para mim. Como meu bebê ainda não entende sobre o papai Noel, ainda tenho um tempo para pensar melhor em como tratarei o tema com ele.

E pra você, como deve ser o Natal? Com ou sem o papai Noel? Me conta😉

Speak mama

Não entendeu? Eu explico. A Speak mama é a empresa de uma mamãe empreendedora. Ela vende principalmente roupas para amamentação, e também tem algumas peças para os filhos. Da um Google: http://www.speakmama.com.br e confere as peças disponíveis.

Você pode ta se perguntando, é publicidade? Não. Na verdade eu já queria ter vindo aqui falar a mais tempo e não consegui. Conheci a marca por indicação no Instagram, como eu estava atras de roupas para amamentar fui ver e gostei. Mas o frete para onde eu moro tornava caro. Esperei e consegui uma promoção de frete grátis, aproveitei. Comprei 3 peças para mim e uma para o bebê, desses conjuntinhos tal mãe, tal filho. E adorei

A dona é a Gabriela, super gente boa. Sabe aquelas pessoas de quem dá vontade a gente ser amiga? Um doce. Eu estava muito na dúvida em qual tamanho pedir, mesmo no site tendo a tabela de medidas e um stories dela explicando no Instagram. Segui o passo a passo mas a pulga da dúvida rondava, não queria ter de trocar, pois resultaria ir no correio e eu ainda mantenho a quarentena só saindo se for indispensável.

O que fiz? Mandei mensagem no Instagram, rapidinho ela respondeu. Me ajudou a confirmar os tamanhos e foi certinho. A do bebê, que era meu maior medo de vim pequena, coube perfeitamente bem. As minhas também vieram como eu esperava, resta só eu me acostumar rsrs, pois sempre gostei de roupa beeem justa e resolvi comprar mais larginha pra ajudar a amamentar mais facilmente.

Então, se você tiver atrás de blusas para amamentar, corre no Speak Mama, lá ela também tem vestido, pijama, o macaquinho ta recém lançado. Vai la😉

6° mesversário

Mesversário e a melancia

Parece que foi ontem que eu escrevia comentando da saudade da barriga de grávida. Mas não, já se vão 6 meses. 6 mesversários.

Confesso que acordei melancólica, feliz por ter chegado a essa data, mas receosa do que viria. Afinal, acabou-se a licença maternidade, iniciamos a introdução alimentar.

E foi pensando na introdução alimentar que escolhi o tema de frutas para comemorar. Com um bolo de melancia. Algumas pessoas não entenderam. Tinha de ter bolo ” de verdade “. Dane- se essas pessoas. Foi bolo de melancia sim, pra meu bebê se lambuzar.

Ele não comeu, tivemos medo de começar a alimentação nesse dia, mas tocou, brincou, lambeu e isso que importa, a festa é dele, pra ele. Goste quem gostar.

Sorvete de uva

Eu ouvi sorvete?

Que tal uma receita rápida e saudável?
Esse sorvete de uva é muito fácil de fazer e pode ser dado desde a introdução alimentar aos bebês ( a partir dos 9meses).
Olha como é simples, você vai precisar:

Banana
Uva Vitória

Corte a banana em rodelas finas. Congele as frutas. Após o congelamento bata no processador até virar uma pasta. Distribua em porções individuais. Está pronto. Você pode já servir ou voltar ao congelador para depois.

Dica: a quantidade de fruta varia a gosto: prefere um sabor mais intenso? Ponha mais uvas. Quer fazer em grande quantidade? Use mais bananas.
Antes de processar vale esperar alguns minutos fora do congelador, além de dar uma separada nas fatias de banana para ajudar o processo.
Você pode substiuir a uva por outa fruta: manga, morango…

Gostou? Faça e deixe um comentário dizendo o que achou.

E viva o puerpério

Eu sumi daqui. A causa vocês podem imaginar. A vida com um bebê já não é mais a mesma. Tem razão. Porém não é tão simples.

Muito se fala no puerpério, os 40 dias de recuperação após uma cesaria. E depois tudo passa… será que passa?

Pra mim, foi um puerpério permanente, ainda me pergunto o porque de ser assim. Ainda mais agora, tendo alguém próximo na situação que estive, uma cesaria e é como se nada tivesse acontecido, a pessoa rindo, dormindo, e me pergunto: foi só comigo?

Tudo começou com o parto, que não foi o que eu espesava e ja falei um pouco disso aqui. Depois a amamentação que foi difícil, usei a fórmula pois não teve jeito, até que conseguir fazer livre demanda só leite materno. Mesmo depois disso ainda me sentia mal.

Troquei de psicóloga, a minha parecia estar mais preocupada com meu relacionamento do que com meu estado psicológico, entendo a importância de cuidar da relação, mas eu precisava me cuidar primeiro.

Ainda não estou bem 100%, mas as coisas começam a melhorar. Após 4 meses em que as roupas me incomodavam, agora consigo me vestir sem sentir dor. Começo a ver em mim outros pontos que precisam de ajuda: meu cabelo que está caindo desesperadamente, meu corpo que emagreceu demais e meu relacionamento que já não é o mesmo.

Você pode pensar: a psicóloga avisou… sim e não, ela colocou a relação acima de outras prioridades, como cuidar do outro sem cuidar de si? Seria hipocrisia.

Mas como dizem: tudo passa… até o puerpério.

Meu parto não foi como esperado

Eu sempre tive medo do parto, mesmo quando não pensava em engra ida, a dor ou cirurgia me assustavam. Já grávida, pensava: vai ter de sair. A medida que ia estudando sobre a gravidez, fui desejando parto normal, pelos benefícios para o bebê. Para meu alívio, minha médica falava os benefícios do parto normal, sobre os que tinha feito, o que me deixava tranquila. Ela era uma boa médica, estava pagando particular, daria tudo certo. Só que não.

Recebi a indicação de uma medica pelo plano, diziam sem muito boa, porém só achei vaga quando já estaria com quase 6 meses, minha amiga logo aviso: ela diz q faz normal, mas não faz. Contou que ma ultima consulta dela quis marcar a cesaria porque o bebê não nasceria e parto normal, minha amiga tentou esperar uma semana, ela respondeu que não se responsabilizava, no outro dia minha amiga já estava na maternidade. Eu não queria isso. Se fosse cesaria, que pelo menos fosse no dia que o bebê quisesse nascer. Desmarquei com a do plano e continuei onde estava.

Estava tudo indo bem até que descobri a diabetes gestacional, mas a médica mais uma vez me tranquilizou que isso não determinaria a via de parto. Algumas coisas, contudo, deveriam ter me feito desconfiar. Mas sendo eu marinheira de primeira viagem e meio avoada, não notei. A começar pela consulta após o curso de gestante. Perguntei sobre marcar a consulta pediátrica de pré-natal e ela achou cedo, apesar de já estar na última metade da gravidez, falou que conversaria disso mais a frente, mas indicou a clinica onde levava os filhos, aproveitou e me deu o contato da consultora de amamentação que por sinal tinha estado no curso (falarei mais dela em outro post).

Seguimos, passei a fazer ultrassom e cardiotocografia a cada 15 dias. Chegou uma hora que ela disse que o bebê estava na melhor posição para o parto normal, me animei. Ela porém não falava sobre parto comigo, não explicava diferenças, o que aconteceria em cada um. Já no último mês ela começou com perguntas vagas, e ai o parto já pensou? Falava que queria que fosse do jeito que o bebê preferisse e acabava ai.

Na penúltima consulta ela disse que, devido o diabetes gestacional eu não podia esperaro parto normal apos as 40 semanas. Ou induzia ou cesaria. sendo que ela vinda fazendo toque nas últimas consultas e não tinha dilatado, colo fechado, teria de amolecer e depois induzir, ou algo nesse sentido. Podia levar dias todo o processo e ainda assim não era garantia dar certo e eu conseguir o parto normal. Fiquei triste. Conversei com meu companheiro e decidimos não arriscar ficar tanto tempo na maternidade sem saber se daria certo,estávamos com medo do coronavirus. Optamos pela cesaria.
Não houve muita explicação de como seria, perguntou se tinhamos duvidas. Agora vejo que é dificil ter duvidas de algo que você desconhece detalhes, depois que passa você nota o tanto de coisa que fez errado. As explicações que recebi não eram suficientes. Mas enfim, segui nervosa, mas menos do que imaginei. Tentei relaxar. Já na sala de cirurgia fiquei ansiosa, meu companheiro só podia entrar quando já tivesse começado, dessa forma não havia a playlist que preparei, já que a medica havia dito para deixar com ele e assim passar pro anestesista. Estava só, numa sala fria, com estranhos, sem saber o que esperar.

Quando ela chegou perguntou se eu queria pega-lo quando nascesse, respondi que sim e meu coração aliviou, mas foi só ai. Começaram a fazer as coisas e eu me assistava, Não sabia se sentiria o efeito da anestesia, comecaram a por a sonda e eu sentia choque na perna. Puxaram meu braço da posição que estava confortável para mim. Durante o parto empurraram minha barriga e percebi que aquilo era violência obstétrica.
O bebê nasceu e não chorou. O pai dizia nasveu e eu questionava : porque nao tinha chorado? onde estava? queria que trouxessem pra mim. Não tive minha golder hour. Quando ele veio pra tirar foto eu estava cansada, mal aguentava virar o olho para ver e olhar pra foto. O levaram. O anestesista perguntou se eu queria remédio para dormir, galei que não. Depois tudo virou um borrão. Ouvi vozes mas não sabia o porque da demora, perdi noção do tempo. Chegaram pra me trocar de maca, eu quis virar o corpo e não deixaram, parecia que iria desmaiar a toda hora.Na sala de recuperação, falavam comigo e eu respondi meio automatico, ouvi dizerem que iria pro quarto 13h30. Não fui. Eu não tinha forças, só conseguia dormi e sentir minha cama balancar quando passavam e batiam na maca. Tremi de frio, meus dentes batiam. Puseram manta térmica. Ficou muito quente, eu suava, tiraram, voltei a sentir frio. Acho que me medicaram, me levaram pro quarto mesmo assim quase 17h. Eu nao conseguia nem comer. Poucas mastigadas e cansava. Só queria dormir. Não tinha força nem pra olhar meu bebê, o pai que cuidou. Só fui melhorar de madrugada. Mas uma melhora fisica, a cicatriz da alma ficara para sempre.

Banho

Sabe aquelas pequenas coisas do dia a dia que não damos importância, pois então, tomar banho é uma delas. Quando não se é mãe a gente não para pra pensar no privilégio que é poder entrar debaixo do chuveiro a qualquer jora, tomar um banho relaxante, lavar o cabelo com carinho, conseguir esperar a máscara de hidratação fazer efeito…
Não, ser mãe não significa nunca mais tomar banho, mas que o banho não será mais o mesmo, por um bom tempo.

Me dei conta fortemente disso essa noite, deixei o bebê com o pai para poder ir ao banheiro e beber água. Na hora de lavar as mãos a água estava tão perfeita , sabe aquela temperatura agradável, que não te faz suar nem sentir frio, aquela temperatura ideal pra um banho relaxante e eu não podia aproveitar.

Banhos são permitidos ( e logicamente necessarios ) quando se é mãe. Mas você não tem mais a liberdade que tinha. Principalmente se você estiver amamentando. O bebê precisa de você e nessas horas não tem pai, tia ou avó que possa te substituir. E você nao ira deixa-lo chorando ou com fome para relaxar num banho, você não consegue.

Banhos passam a ser rápidos, no momento que o bebê se acalmou ou dormiu e não mais no momento que quiser. Eu queria o banho essa noite quando senti a água ao lavar as mãos, mas naquela hora eu não podia. E seguimos assim. Um passo a cada dia, nessa nova jornada de ser mãe

Cartas para você, no futuro – parte 3

Você não vai lembrar desses dias, nem dessas noites. Pelo menos não de forma consciente. Será um fase sem memórias, mas de extrema importância. Às vezes me percebo olhando pra você, te admirando e pensando como pode ter saído de mim.

Os dias parecem tão longos, as noites não tem fim. E quando passa, parece tão rápido. Num instante, já se vão 2 meses, em que chorei, em que sorri, o mais importante: que amei e amo cada vez mais ter você aqui.

Ontem me peguei olhando a janela e pensando como seria se não estivesse aqui. Me dei conta que já não sei mais como seria, pois não faz sentido o que eu fazia, desperdiçava meu tempo sem fazer nada e tanta coisa que eu queria fazer.

Tem dias que é sofrido, é doido, noites que não acho que vou aguentar, mas tudo vale a pena por estar ao meu lado, já não imagino minha vida sem ti.

Você é a razão da minha vida, dos meus dias, tudo que quero é te ver feliz.

Te amo meu bebê ❤

Toda a culpa de ser mãe

Não achei que ser mãe seria fácil, mas também não achei que seria assim, uma vida de culpa, medo, insegurança. Tenho ainda muito pra falar sobre essa maternidade aqui, mas quero começar por esse sentimento de culpa e frustação que amamentar trás.

É uma montanha russa de emoções. Hora está tudo bem, horas tudo vai mal. E hoje foi um dia assim

Tenho usado o bico de silicone para amamentar e resolvi tirar. O medo de doer e machucar me paralisa e por isso ainda não consegui. Nessas horas me sinto fraca por ser tão pouco resistente a dor e sofrimento.

Meu bebê passou o dia no peito, não acho que por fome todas as vezes, talvez algo o incomodasse, talvez ele só quizesse colo, atenção. o dia passamos bem, mesmo cansada estava funcionando. Ele ainda chegou a dormir em meu colo, o que me alegra e acalma. Quando acordou, o peito jorrava leite em sua noa, chega dava pra ouvir o glut glut ao mamar em mim.

Agora a noite, porém, tudo mudou. O sono e o cansaço bateram pesado, tudo que eu queria era dormir e ele só queria mamar. Acordei meio sonâmbula e dei o peito pra ele, estava cansada, pernas, costas, não havia posição confortavel. Ele comia e eu meio que dormia, sem lhe dar atenção, sem ter olho no olho, conversar oi cantar até fazer dormir.

Mudei o seio e testei sem o bico, senti o inicio mas depois foi. Eu permaneci ali, querendo dormir. Foi um alívio quando o levaram pra trocar a fralda e eu pude fechar os olhos.

Não sei ao certo quanto tempo durou, mas o pai resolveu dar a mamadeira com o leite materno ordenhado (LMO, que é o leite que extraio com a bomba) e se preciso dar a fórmula de complemento. Era tanto sono que soou um alívio pra mim.

Eis então que eu acordo quando ele o está colocando para dormir, sono parcialmente renovado, me deparo com o peito um pouco cheio e a culpa toma conta de mim. Afinal, como posso sonhar em manter a livre demanda (LD, que é quando o bebê escolhe quando, como e quanto comer) se a primeira adversidade não resisto a dormir? E agora meu bebê está ai, dopado para dormir, ppis apesar de ter tomado 2/3 de leite materno, teve 1/3 da fórmula e todos sabem que não é a mesma coisa.

Então me culpo, por cada momento que não consegui amamentar, que não conseguir olhar em seus olhos, demonstrar atenção. Por cada gota de fórmula no lugar do meu leite, de cada momento ausente.

Essa pode ainda não ser toda a culpa de ser mãe, ainda há muito por vim, mas com certeza essa é bem dolorosa.